Tratamento experimental de Preta Gil nos EUA foi 100% gratuito, revela documentário
Empresário de Preta contou que ela participou de um tratamento sem custos, mas precisou deixá-lo após não apresentar efeito esperado

Depois de tentar de tudo no Brasil, Preta Gil seguiu com garra para os Estados Unidos na busca da cura do câncer. Diagnosticada com um tumor no intestino em janeiro de 2023, a cantora chegou a entrar em remissão em dezembro do mesmo ano, mas enfrentou uma recidiva da doença, ainda mais agressiva, cerca de seis meses depois.
A trajetória da artista foi relembrada no documentário "Preta – Eu Não Ando Só", exibido pela TV Globo na noite dessa segunda-feira (20). A produção também revelou detalhes inéditos sobre os últimos anos de vida da filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha. Preta morreu em julho do ano passado, em Nova York.
Em depoimento ao documentário, o empresário Marcello Azevedo, um dos amigos mais próximos e braço direito da cantora, contou que o tratamento experimental (trial) realizado por ela nos Estados Unidos foi totalmente gratuito. "Acho que ela foi a primeira brasileira a ter tratamento 100% gratuito lá", declarou.
Segundo Azevedo, Preta precisou deixar o estudo após os médicos concluírem que a terapia não estava apresentando os resultados esperados. "Quando o remédio não fez tanto efeito, eles são obrigados a tirar ela do teste, pois precisam dar a vez para outra pessoa que possa ser beneficiada por aquilo", explicou.
O empresário relembrou ainda o momento em que os médicos orientaram a cantora a permanecer ao lado da família. "Foi aí que o médico falou: 'Sugiro que você fique com sua família. Esse tratamento que a gente tinha não alcançou o resultado esperado e eu preciso te tirar do trial'", contou.
O trial, ou ensaio clínico, é um estudo de pesquisa realizado com voluntários para avaliar a segurança e a eficácia de novos medicamentos, terapias, dispositivos ou procedimentos médicos antes que eles sejam disponibilizados de forma mais ampla.
Marcello também revelou como Preta reagiu após receber a notícia. "Desse dia em diante, ela não falou mais. A última mensagem que eu mandei para ela foi um 'eu te amo', e ela não respondeu", lamentou.

Antes de deixar o Brasil para dar continuidade ao tratamento no exterior, Preta já havia contado, em dezembro de 2024, que seus médicos recomendaram a busca por alternativas nos Estados Unidos.
"A quimioterapia que eu fiz lá no Brasil não foi tão eficaz como os médicos esperavam e eu também. Então a gente tem que buscar alternativas em países diferentes, com tipos de estudos diferentes, ensaios ainda publicados ou não publicados, drogas que ainda não chegaram ao Brasil", explicou na época.
A cantora se mudou para os Estados Unidos em junho e morreu em 20 de julho de 2025, enquanto se preparava para retornar ao Brasil. O tempo em que passou no exterior, sempre esteve ao lado dos amigos e familiares, que também abriram o coração no documentário.
Último pedido de Preta
Ainda no documentário, Marina Morena, empresária e amiga próxima da cantora, relembrou que o último pedido de Preta foi para que todos rezassem juntos. "'Meninas, vamos orar?' Foi isso, foram as últimas palavras. Depois da oração, ela deixou ir", contou.

Malu Barbosa, também empresária e uma das melhores amigas da artista, afirmou que, após esse momento, Preta não voltou a interagir. "Ela não usou mais telefone, ela desligou. Só ficou deitada, dormindo", relembrou.

'Preta – Eu Não Ando Só'
O filme traz registros feitos pela própria cantora em seu celular desde o diagnóstico de câncer no intestino. Ao longo da produção, o público acompanha momentos íntimos da artista, que decidiu compartilhar sua rotina, os desafios do tratamento e a rede de apoio formada por familiares e amigos.
O documentário também relembra diferentes momentos da vida e da carreira de Preta Gil, intercalando imagens pessoais com relatos de pessoas que acompanharam sua trajetória. Entre os depoimentos estão os de Carolina Dieckmann, Ivete Sangalo, Regina Casé, Ana Carolina, Gominho, Caetano Veloso, Francisco Gil, Sol de Maria e Gilberto Gil.
André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.



