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Tony Tornado será o homenageado da 18ª edição da Cine Ouro Preto 

Ator e músico completou 93 anos no último dia 26 de maio e segue na ativa como o Frei Tomé da novela 'Amor Perfeito' 

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Na TV e no cinema, Tony Tornado viveu papeis usualmente destinados aos negros, sem conseguir mudar essa realidade, mas dando destaque para suas personagens
Na TV e no cinema, Tony Tornado viveu papeis usualmente destinados aos negros, sem conseguir mudar essa realidade, mas dando destaque para suas personagens • Leo Lara/Divulgação

A vida de Tony Tornado daria um livro. Mas ele mesmo não quer saber de biografia, como já declarou em diversas ocasiões. Aos 93 anos de idade, completados no último dia 26 de maio, o músico, ator e dançarino que sempre foi sinônimo de estilo – atualmente vivendo o Frei Tomé da novela 'Amor Perfeito', da Rede Globo – será o homenageado da 18ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que acontece de 21 a 26 de junho na cidade histórica, com uma ampla programação que contempla as temáticas da preservação ambiental, da música preta no Brasil e da educação, reverenciada sob a ótica de Paulo Freire. No segmento infantojuvenil, o destaque fica por conta de 'Últimas Conversas', filme dirigido por Eduardo Coutinho em 2014 e lançado em 2015, o último do renomado documentarista, com edição póstuma de Jordana Berg e João Moreira Salles.

Homenageado

Antes que o nome de Tony Tornado ecoasse em todo o país com o sucesso estrondoso da música “BR-3” (de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar) no V Festival Internacional da Canção, em 1970, o aspirante a cantor, nascido em Mirante do Paranapanema, no interior de São Paulo, foi colega de Silvio Santos no exército brasileiro, participou da batalha do Canal de Suez, no Egito, em 1957, e atuou como traficante de drogas e cafetão em Nova York, nos Estados Unidos, onde viveu ilegalmente na década de 1960 e salvou Tim Maia (1942-1998) de uma cana brava depois de pagar fiança.

Já consagrado como o intérprete que se apresentou ao lado do Trio Ternura e bradou os versos vertiginosos “Há um foguete/ Rasgando o céu, cruzando o espaço/ E um Jesus Cristo feito em aço/ Crucificado outra vez”, enquanto rodopiava feito um tornado, com a camisa aberta e um sol desenhado no peito, o dono de um black power imponente acabou preso por repetir, no palco, a saudação dos Panteras Negras, movimento norte-americano de origem marxista, durante um show de Elis Regina (1945-1982), que acabara de cantar “Black is Beautiful” (de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), em plena ditadura militar, no ano de 1972. No mesmo período, ele enfrentaria o preconceito racial por seu relacionamento com a atriz Arlete Salles, que durou sete anos.

Na TV e no cinema, Tornado viveria papeis usualmente destinados aos negros, sem conseguir mudar essa realidade, mas dando destaque para suas personagens, como em “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), “Quilombo” (1984), “Roque Santeiro” (1985), “Sinhá Moça” (1986), “Vai Trabalhar, Vagabundo II” (1991), “Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados” (1995), “Redentor” (2004), além de inúmeras pornochanchadas. O trabalho de maior reconhecimento aconteceria com a minissérie “Agosto” (1993), na pele de Gregório Fortunato, guarda pessoal de Getúlio Vargas.

A longevidade levaria Tornado a marcar mais de uma geração e ganhar um novo séquito de fãs, formado, principalmente, por crianças e adolescentes, graças às participações como Avalanche, em “Caça Talentos”, de 1996 a 1998, protagonizado por Angélica, e na paródia “Os Trapalhões e o Mágico de Oróz” (1984), quando atuou ao lado de Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias. Se, ao longo da carreira artística, Tornado variou entre o humor e o drama, tanto na música quanto na dramaturgia, ele retornou recentemente a investir em uma expressão carrancuda, por vezes até mau humorada, ao aparecer na série “Carcereiros” (2018), da Globo, e dar vazão ao jurado severo de PopStar, que disparou sem rodeios: “Cantar pior que o Chico Buarque é impossível”. E como de hábito, desde que surgiu, provocou o espanto da plateia.


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