Raul Seixas estreou na carreira-solo há 50 anos com disco cheio de sucessos
Cantor e compositor baiano apresentou, logo de cara, músicas do calibre de 'Metamorfose Ambulante', 'Ouro de Tolo' e 'Al Capone'

Raul Seixas ainda não era o “Maluco Beleza” da música brasileira, mas já dava os primeiros passos nesse sentido quando lançou, em 1973, “Krig-ha, Bandolo!”, estreando na carreira-solo. Lançado há 50 anos, o disco se tornou um marco da carreira do músico, graças a sucessos que entraram para a lista de clássicos da MPB, como “Mosca na Sopa”, “Metamorfose Ambulante”, “Al Capone”, “Ouro de Tolo”, dentre outras.
Misturando ponto de macumba com rock no caldo da filosofia existencial, Raul Seixas criava o que ele mesmo viria a chamar de “raulseixismo”, um estilo único que não encontraria paralelos na história do nosso cancioneiro. Foi essa personalidade incomum e criativa que o levou a ser acompanhado por uma legião de fãs ao longo de sua carreira, ganhando, inclusive, status místico.
Na capa do disco, Raul Seixas já aparecia de peito aberto, com signos que ele tornaria conhecidos em todo o Brasil, como o símbolo da futura Sociedade Alternativa desenhado em sua mão, onde a única regra era: “faz o que tu queres, pois é tudo da lei”. Um hino à liberdade na forma de mantra hippie.
No pescoço ele ainda trazia dependurado o símbolo da paz, sobre o qual falaria na música “É Fim de Mês”, lançada em 1975, com forte influência da música nordestina e a verve sempre contestadora do músico.
Nascido em Salvador, na Bahia, no dia 28 de junho de 1945, Raul começou sua trajetória na música imitando os trejeitos de Elvis Presley, incluindo um topete ajustado com brilhantina, jaqueta de couro e olhar de galã pras meninas.
Em 1968, ele colocou na praça o LP “Raulzito e os Panteras”, ainda sob a forte influência do ídolo. Na sequência, tornou-se produtor musical na CBS, e deu a primeira mostra de sua rebeldia quando, em 1971, aproveitando uma viagem conjunta dos executivos da gravadora, produziu à revelia o abusado disco “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez”, cujo título já ilustrava o escracho do quarteto formado por Raul, Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star.
O disco de 1973 trouxe o início da histórica parceria com Paulo Coelho, que rendeu sucessos do porte de “Gita”, “Medo da Chuva”, “Sociedade Alternativa”, “A Maçã”, “Tente Outra Vez” e muitas outras.
Mas o primeiro estouro da dupla aconteceu com “Ouro de Tolo”, música que segue tocando gerações graças a seu discurso atemporal, sobre um sujeito resignado com a dureza do dia a dia que resolve refletir sobre a vida, comprovando a capacidade de Raul Seixas de ver além do óbvio. Aos 50 anos, o disco de estreia de Raul segue perene como a sua mensagem de ousadia, liberdade e, porque não, um pouco de maluquice.
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