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Odair José completa 75 anos; Relembre sucessos do 'compositor da pílula' 

Em 1973, há 50 anos, o cantor goiano emplacou todas as músicas de seu LP nas rádios, como 'Pare de Tomar a Pílula' e 'Cadê Você' 

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Odair José ficou no topo das paradas de sucesso em 1972 com 'Eu Vou Tirar Você Desse Lugar'
Odair José ficou no topo das paradas de sucesso em 1972 com 'Eu Vou Tirar Você Desse Lugar' • Vinicius Denadai/Divulgação

Ele é o cantor da pílula, da empregada doméstica e da prostituta. Na década de 1970, só não teve mais músicas censuradas do que Chico Buarque, e acabou excomungado pela Igreja Católica quando lançou a ópera-rock “O Filho de José e Maria”, em que o protagonista usava drogas e colocava em dúvida a própria orientação sexual. 

Em 1973, há 50 anos, Odair José emplacou nas rádios todas as músicas de seu disco que trazia um dos maiores sucessos de sua carreira, um recorde absoluto. Batizada pelo compositor de “Uma Vida Só”, mas conhecida nacionalmente como “Pare de Tomar a Pílula”, a música sobre o contraceptivo fez tanto sucesso que rompeu a bolha que envolvia Odair no rótulo de “brega” e o levou a se apresentar com Caetano Veloso, no festival Phono 73. 

O público não entendeu a ousadia e acabou vaiando aquela mistura inusitada. Mas Odair jamais se fez de rogado e continuou hasteando a bandeira das minorias marginalizadas, mantendo o romantismo e o apelo popular como marcas de seu repertório, com influências que iam da Jovem Guarda à música sertaneja.

Um ano antes, em 1972, Odair já era um fenômeno de massa graças à atrevida e despojada “Eu Vou Tirar Você Desse Lugar”, que rebobinava o clássico do homem apaixonado pela prostituta, presente em obras consagradas de nomes da literatura mundial como Alexandre Dumas Filho, Truman Capote e Jorge Amado, mas que na música de Odair ganhava uma abordagem direta e simples que falava diretamente ao coração dos ouvintes. 

Leia mais: Odair José revela a história da música ‘Eu Vou Tirar Você Desse Lugar’

Seguindo a trilha do sucesso, o músico goiano voltou a dominar as paradas em 1974, com “A Noite Mais Linda do Mundo”, outra composição de conotação romântica. Em 1975, gravou um disco com arranjos de Luiz Cláudio Ramos, músico que sempre acompanhou Chico Buarque. 

Era a preparação para a maior ousadia de Odair, a ópera-rock que lhe valeu a excomunhão da Igreja Católica, o que o obrigou a enfrentar, na década de 1980, um ostracismo forçado e o paulatino isolamento da indústria fonográfica. 

Ao longo de 75 anos de vida e mais de meio século de carreira, Odair José nunca deixou de se comunicar com o povo e colocar em relevo a sua principal missão. Falar a verdade e superar a hipocrisia, deixando os sentimentos à mostra ao mesmo tempo em que contesta preconceitos que só trazem ódio e sofrimento. 

Resgatado pelas novas gerações, que o transformaram de “brega” a “cult”, Odair José colocou na praça, em 2019, o seu mais recente disco, “Hibernar na Casa das Moças Ouvindo Rádio”, em que trata de seus temas prediletos, com o jeito inconfundível que o tornou um dos artistas mais populares do país.