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'Não gosto de ser chamada de influencer', diz Cíntia Chagas em lançamento de livro em BH

Escritora e comunicadora, Cíntia Chagas lançou, nessa terça-feira (23), seu mais novo livro, 'Sexo, amor e hipérboles', em uma noite de autógrafos na capital

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'Não gosto de ser chamada de influencer', diz Cíntia Chagas em lançamento de livro em BH
Cíntia Chagas em BH • Tião Mourão

Fenômeno nas redes sociais com suas pílulas de etiqueta e português, a escritora e palestrante Cíntia Chagas lançou seu novo livro, 'Sexo, amor e hipérboles', nessa terça-feira (23). O lançamento e a sessão de autógrafos atraíram leitores à Livraria Leitura do DiamondMall, onde ela também falou à Itatiaia sobre como lida com a fama.

A obra marca uma nova faceta da autora, que deixa as regras gramaticais de lado para mergulhar na ficção. Em trinta contos, Cíntia explora os desejos, as contradições e os segredos de uma sociedade repleta de hipocrisias, retratando personagens que vivem realidades bem diferentes daquelas que exibem publicamente — como promotores de justiça, influenciadores religiosos e casais sustentados por acordos silenciosos.

Fãs lotaram sessão de autógrafos de Cíntia Chagas • Divulgação
Fãs lotaram sessão de autógrafos de Cíntia Chagas • Divulgação

As contradições humanas e o processo criativo

Em entrevista à Itatiaia, Cíntia Chagas revelou que a obra representa um desejo antigo e um mergulho no que há de mais reservado no comportamento humano.

"Eu sempre quis escrever este livro. Trata-se de um livro sobre as nossas contradições, as contradições humanas, aquilo que nós fazemos apenas na vida privada, aquilo que nós não mostramos", afirmou a autora. "Eu costumo dizer que se nós tivéssemos acesso ao pensamento do outro, nós não sairíamos com ninguém nem para um café. Então, é a realização de um sonho esse livro", completou.

Graduada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Cíntia conta que a escrita fluiu sem amarras ou bloqueios criativos. Para ela, o verdadeiro obstáculo seria se afastar daquilo que é sua marca registrada: a ironia e a graça.

"Modesta a parte não houve desafio nenhum. Eu escrevi de modo muito natural, eu escrevi em casa, tendo as ideias, as ideias vinham naturalmente. Desafio seria se eu tivesse que escrever algo em que não houvesse humor, porque eu gosto muito do humor. Então, eu não me senti desafiada, não. Me senti plenamente feliz", contou.

'Professora de português, sim; influencer, não'

Embora os vídeos sobre comportamento e regras de elegância acumulem milhões de visualizações, Cíntia recusa rótulos comuns do ambiente digital e faz questão de frisar sua real vocação.

"Eu nunca me considerei uma professora de etiqueta. Eu brinco com a etiqueta, eu estudei muito. Meu primeiro curso de etiqueta ocorreu quando eu tinha 9 anos de idade. Eu me considero uma professora de português. Eu adoro ser chamada de professora de português. Eu sou comunicadora também e não gosto de ser chamada de influencer. Acho péssimo, o tal do influencer", desabafou em tom de humor.

Para a escritora, o termo "influenciador" carrega uma carga que pode engessar a produção de conteúdo e limar a autenticidade de quem está atrás das telas.

"Até porque quando nós nos colocamos esse peso da influência, nós perdemos a nossa originalidade, porque tentamos agradar. Eu nunca quis influenciar ninguém. Eu sou o que sou e parece que deu certo, né?", provocou.

O preço da fama e o retorno para casa

A visibilidade nacional e os julgamentos públicos que vêm no pacote da internet não parecem abalar a mineira. Cíntia encara a exposição como parte do caminho que escolheu trilhar, separando muito bem a persona pública de sua vida real.

"Eu sempre quis ser famosa. Eu sempre sonhei com tudo isso e nós estamos falando aqui do ônus. Não há como ter sucesso, ter visibilidade sem o ônus. Eu me preocupo com as pessoas que desfrutam da minha intimidade", pontuou. "No dia em que alguém que de fato me conhece como a minha mãe, como o meu irmão, como amigos de infância daqui de Belo Horizonte, falar mal de mim, aí sim eu ficarei preocupada, porque eles conhecem a Cíntia no CPF, não no CNPJ. O resto, paciência, são consequências naturais de quem tem uma vida exposta", acrescentou.

Voltar à capital mineira para este lançamento tem um sabor especial para a educadora. Mesmo rodando o país com palestras e eventos, ela reforça que a conexão com suas raízes permanece intacta.

"Nós, mineiros, nós temos algo bem diferente. Nós somos mais doces, nós somos receptivos, nós somos cordatos. E é isso que encanta e nós cozinhamos bem. Não eu, no caso, porque eu não sei cozinhar, mas o mineiro de um modo geral cozinha muito bem", brincou. "Sempre que eu volto para Belo Horizonte, eu fico extremamente feliz. O meu coração está aqui, os meus melhores amigos estão aqui e a minha família e eu amo. Eu amo esta cidade. Amo mesmo", concluiu.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

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Maria Luíza Mendes é estagiária do portal Itatiaia e estudante de jornalismo na PUC Minas. Apaixonada por esportes e entretenimento, Maria possui experiência anteriores em outros portais online e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.