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Anitta faz reflexão sobre mundo atual após mudanças: 'Não está legal'

Em participação no Sem Censura, da TV Brasil, Anitta abriu o coração sobre sua fé no candomblé, religião que ela segue publicamente

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Anitta durante o Sem Censura, da TV Brasil
Anitta durante o Sem Censura, da TV Brasil • Reprodução/YouTube

A cantora Anitta foi a convidada especial do Sem Censura, da TV Brasil, nesta terça-feira (11), e abriu o coração sobre a forma como enxerga o mundo atual e sua fé no candomblé, religião que segue publicamente, durante conversa com Cissa Guimarães.

“O mundo do jeito que ele está, não está legal. Então, para ele melhorar, precisa mudar. Só que, para você mudar, você precisa acreditar na mudança do outro, porque, se você não faz isso, você também não acredita na sua, não acredita que a sua é possível”, refletiu.

A artista relatou que tem um certo problema com essa questão das mudanças, visto que as “pessoas são muito extremistas de pensar que aquele ‘eu’ que você era antes não existe mais”.

“Eu discordo totalmente. Eu acho que o ‘eu’ que você estava sendo antes, ele era uma construção necessária para o que você vai virar agora. Tem muita importância cada caminho que aconteceu”, disse.

Para Anitta, que já viveu diversas fases em sua vida, as pessoas devem ter suas próprias opiniões sobre a vida: “Eu não quero que ninguém vote que nem eu. Eu não quero que ninguém tenha a mesma crença que eu, a mesma religião que eu, mas eu gostaria muito que as pessoas buscassem informação e fizessem suas escolhas a partir da própria interpretação”.

Relação com o Candomblé

No decorrer da conversa, Anitta relembrou o momento em que decidiu se assumir publicamente no Candomblé e o quanto isso foi importante para ela. Além disso, ela explicou o motivo de não ter se posicionado politicamente em determinada fase da vida.

“Houve um momento político no Brasil onde me foi cobrado muito, e eu fui muito apedrejada e atacada por estar em silêncio. [...] Só que eu, nessa época, estava fazendo santo. E quando a gente faz isso, a gente fica ali, guardadinha, por um mês. Você não tem informação de pessoas, ninguém fala para você o que está acontecendo, você não fica com o telefone na mão. Você fica em retiro por um mês. Então, não faz ideia do que está acontecendo”, contou.

Após o processo de iniciação, a brasileira ainda temia falar abertamente sobre sua religião, um pouco por medo de perder contratos publicitários e trabalhos. “Porque tem isso, né? Você tem que sair do armário. Eu não tinha saído do armário ainda porque, na época, era muito prejudicial para as publicidades, para campanhas, para você fazer dinheiro, para você vender... Aí, imagina, eu comecei sem dinheiro, não tinha casa, não tinha nada. Imagina o medo”, relatou.

Em 2020, ela decidiu se abrir. “Teve uma hora que eu não aguentei. Falei: ‘Gente, eu sou macumbeira. Eu estava presa e não podia falar. E eu não sabia o que vocês estavam fazendo aqui fora’. E aí, foi uma outra questão que eu fui enfrentar. [...] E aí, fui, comecei a falar e me senti livre, me senti liberta”, relembrou.

Na época em que Anitta começou a inserir elementos de sua religião em suas músicas e clipes, ela relatou ter enfrentado diversos casos de intolerância religiosa. Ainda assim, a cantora permaneceu fiel à sua crença e lançou aquele que, segundo ela, foi o projeto mais importante de sua carreira, “Equilibrium”.

O álbum apresenta uma nova expressão artística de Anitta e aprofunda sua conexão com a espiritualidade, a ancestralidade e suas raízes brasileiras.

 

 

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André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.

 

 

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