Leucemia Promielocítica Aguda: entenda a doença diagnosticada no cantor Eduardo
Médica hematologista Dra. Yara Abrão Vasconcelos Vivas explica que a 'LPA é considerada uma verdadeira emergência hematológica'

O cantor sertanejo Alcemir da Luz Carlos Filho, conhecido como Eduardo, foi diagnosticado com Leucemia Promielocítica Aguda (LPA) após passar mal. O artista está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), em Goiânia, onde já iniciou o tratamento. Considerada uma emergência hematológica, a doença exige diagnóstico e tratamento rápidos devido ao alto risco de complicações, especialmente sangramentos graves nos primeiros dias.
A LPA é um subtipo de leucemia mieloide aguda (LMA) e representa cerca de 5% a 13% dos casos de LMA em adultos. Na maioria dos pacientes, aproximadamente 95%, a doença está relacionada a uma alteração genética conhecida como translocação entre os cromossomos 15 e 17 (t(15;17)).
Essa alteração impede que algumas células responsáveis pela formação dos glóbulos brancos, chamadas promielócitos, amadureçam normalmente na medula óssea. Como consequência, essas células imaturas se acumulam e prejudicam a produção normal das células do sangue.
Por que a LPA é considerada uma emergência?
Embora as leucemias agudas, de maneira geral, exijam atendimento médico rápido, a LPA é tratada como uma verdadeira emergência hematológica. Isso acontece principalmente devido ao risco de alterações graves na coagulação, que podem provocar sangramentos potencialmente fatais.
“O principal risco no início da doença é a coagulopatia grave, que pode provocar sangramentos potencialmente fatais já no momento do diagnóstico. Por isso, o reconhecimento rápido da LPA e o início imediato do tratamento são fundamentais”, explica a médica hematologista Dra. Yara Abrão Vasconcelos Vivas.
A especialista ressalta que, apesar da agressividade da doença, a LPA apresenta uma das maiores taxas de cura entre as leucemias agudas quando o diagnóstico e o tratamento são realizados rapidamente.
Quais são os sintomas da LPA?
Os sintomas podem surgir de forma rápida e se confundir com manifestações de outras doenças. Por isso, sinais que aparecem repentinamente e sem uma causa aparente devem ser investigados.
Entre os principais sintomas estão:
- Cansaço, palidez e falta de ar aos esforços, que podem estar relacionados à anemia provocada pela redução dos glóbulos vermelhos;
- Febre persistente e maior frequência de infecções, devido à redução das células de defesa normais;
- Suor noturno intenso, que pode chegar a molhar a roupa de cama;
- Manchas roxas na pele e pequenos pontos vermelhos, conhecidos como equimoses e petéquias;
- Sangramento nas gengivas ou pelo nariz;
- Aumento do fluxo menstrual;
- Outros sangramentos que não tenham uma causa aparente.
A doença também pode provocar alterações importantes na coagulação. Em casos graves, o quadro pode evoluir para coagulação intravascular disseminada (CIVD), uma complicação capaz de causar hemorragias importantes, inclusive intracranianas.
“Os sangramentos podem aparecer de diferentes formas, desde manchas roxas e pequenos pontos vermelhos na pele até sangramentos nasais, gengivais ou mais intensos. Diante de um sangramento novo e sem explicação, principalmente associado a alterações no exame de sangue, é importante procurar atendimento médico”, orienta Yara.
LPA tem cura?
Apesar de ser uma doença agressiva, a Leucemia Promielocítica Aguda apresenta altas taxas de cura quando diagnosticada e tratada precocemente. A sobrevida em longo prazo pode chegar a aproximadamente 90% dos pacientes.
O maior risco está justamente nos primeiros dias da doença, quando as alterações da coagulação podem provocar complicações graves. Por isso, o início rápido da terapia é considerado determinante para o prognóstico.
“O principal desafio para alcançar a cura é prevenir as complicações graves, especialmente nos primeiros dias da doença e durante o tratamento. Com o diagnóstico precoce e a terapia adequada, as perspectivas são muito melhores”, afirma a hematologista.
Como é feito o tratamento?
O tratamento da LPA deve ser iniciado rapidamente e, em geral, ocorre com internação hospitalar e acompanhamento próximo de uma equipe de Hematologia. Durante esse período, o paciente passa por monitoramento frequente dos exames de sangue e dos parâmetros de coagulação.
A estratégia terapêutica é definida de acordo com as características da doença e o risco apresentado pelo paciente. Entre os fatores avaliados estão a contagem de glóbulos brancos e plaquetas, a função cardíaca e outros aspectos clínicos e laboratoriais.
Os principais medicamentos utilizados são o ácido all-trans retinoico (ATRA) e o trióxido de arsênio (ATO). A necessidade de quimioterapia e a combinação dos medicamentos variam de acordo com cada caso.
Em pacientes classificados como de alto risco, a quimioterapia pode ser indicada. Ela também pode ser utilizada quando o trióxido de arsênio não está disponível ou é contraindicado.
Durante o tratamento, alguns pacientes precisam receber transfusões de plaquetas e crioprecipitado, conforme os resultados dos exames e a situação clínica. O suporte transfusional é importante para ajudar a controlar as alterações da coagulação e reduzir o risco de sangramentos.
“O tratamento precisa ser individualizado, mas o ponto fundamental é não atrasar o início da terapia diante de uma suspeita de LPA. O acompanhamento rigoroso permite identificar rapidamente possíveis complicações e agir para controlá-las”, explica Yara.
Quando procurar atendimento?
A LPA é uma emergência médica. Sangramentos importantes, hematomas que surgem sem explicação, manchas vermelhas na pele, sangramento nasal ou gengival recorrente e alterações sugestivas em exames de sangue precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
Na presença desses sinais, especialmente quando surgem de maneira repentina ou acompanhados de febre, cansaço intenso e palidez, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
“A LPA pode evoluir rapidamente e o risco de complicações graves é maior nos primeiros dias. Por isso, diante de uma suspeita, é fundamental buscar atendimento e, quando possível, avaliação de um hematologista”, reforça a médica.
O caso do cantor Eduardo chama atenção para uma doença que, apesar de grave e de evolução rápida, apresenta altas chances de cura quando identificada e tratada de maneira adequada e no tempo correto.
André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.




