Isis Valverde chorou de arrependimento por tatuagem; médico explica como removê-la
Médico dermatologista explica como funciona o procedimento para remoção de tatuagens e alerta para importância de procurar profissionais; confira entrevista

Isis Valverde, de 39 anos, revelou que se arrependeu de ter feito uma tatuagem enorme nas costelas por causa do seu trabalho como atriz. A figura de duas máscaras se beijando foi feita quando ela tinha 21 anos. “Eu chorava porque me arrependi do tamanho. Foi uma época revoltada, jovem, você quer fazer tudo”, disse em entrevista ao programa Ambulatório da Moda, no YouTube.
A tatuagem foi inspirada em um filme clássico. “É inspirada no beijo do filme ‘E o Vento Levou’. A comédia beijando a tragédia porque acredito que toda tragédia tem um pouco de comédia e toda comédia tem um pouco de tragédia”, explicou ela, que tem oito tatuagens em locais fáceis de esconder atualmente.
Lucas Miranda, médico dermatologista mineiro, explica que praticamente todas as tatuagens podem ser tratadas, "mas é importante entender que remover uma tatuagem não significa necessariamente garantir que a pele ficará exatamente como era antes".
"O resultado depende de vários fatores: as cores utilizadas, o tipo e a qualidade do pigmento, a profundidade em que ele foi depositado, o tamanho e a localização da tatuagem, o tempo desde que ela foi feita e até a resposta individual do organismo. Tatuagens predominantemente pretas costumam responder muito bem, enquanto algumas cores podem exigir abordagens específicas e um número maior de sessões. Existem ainda pigmentos cuja composição pode dificultar a remoção completa e deixar uma discreta sombra residual. Por isso, antes de começar o tratamento, faço questão de avaliar a tatuagem e alinhar com o paciente qual resultado é realisticamente possível alcançar", diz.
Como funciona o procedimento?
O procedimento, conforme o médico, é feito com lasers específicos para pigmentos. "Utilizo atualmente o Fotona StarWalker®, uma plataforma que permite trabalhar diferentes cores e profundidades de pigmento. O laser emite pulsos de energia extremamente curtos que atingem e fragmentam o pigmento da tatuagem em partículas muito menores. A partir daí, o próprio organismo vai progressivamente eliminando essas partículas, principalmente por meio da resposta imunológica. É justamente por isso que o clareamento acontece de forma gradual entre uma sessão e outra, e não imediatamente após a aplicação do laser. Outro ponto importante é que não se deve tentar remover tatuagem com qualquer tipo de laser. Equipamentos inadequados podem não conseguir eliminar o pigmento e ainda aumentar o risco de queimaduras, manchas e cicatrizes", comenta.
Sobre a quantidade de sessões, isso varia de acordo com a tatuagem e pessoa. "Como referência, uma tatuagem profissional de tamanho médio frequentemente exige algo em torno de seis a dez sessões, mas esse número pode ser menor ou consideravelmente maior. Uma tatuagem pequena e preta, por exemplo, tende a responder mais facilmente. Já desenhos extensos, muito coloridos, com pigmentos profundos ou localizados em determinadas regiões do corpo podem demandar mais tempo", destaca o especialista.
"Costumamos respeitar intervalos de aproximadamente quatro a oito semanas entre as aplicações, justamente porque parte importante do processo acontece depois do laser, quando o organismo começa a eliminar os fragmentos de pigmento. Portanto, prometer previamente que determinada tatuagem desaparecerá em um número exato de sessões não é uma conduta que considero adequada; essa estimativa precisa ser individualizada", acrescenta.
Alerta
O médico alerta: "Casos como o da Isis Valverde chamam atenção para uma situação extremamente comum no consultório: uma tatuagem pode ter feito sentido em determinado momento da vida e, anos depois, deixar de representar aquela pessoa. Felizmente, a tecnologia para remoção evoluiu muito. Mas é importante não banalizar o procedimento. Estamos utilizando energia sobre a pele para atingir um pigmento que foi colocado em uma determinada profundidade, e isso exige indicação correta, escolha adequada dos parâmetros e acompanhamento profissional".
"Quando bem indicado e realizado com tecnologia apropriada, conseguimos fragmentar seletivamente o pigmento, preservando ao máximo a pele ao redor e reduzindo o risco de cicatrizes. O objetivo não deve ser simplesmente “apagar” a tatuagem a qualquer custo, mas removê-la ou clareá-la da maneira mais segura possível, respeitando as características daquela pele e daquele pigmento", encerra.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.



