Edith Head é o nome da mulher mais premiada da história do
A designer de figurinos detém o recorde de premiações com oito estatuetas no total, todas elas na categoria de Melhor Figurino. Além disso, Edith acumulou 35 indicações ao longo de toda sua trajetória, um número que comprova a genialidade dela em se adaptar às mudanças de moda e tecnologia, desde o cinema preto e branco, até chegar ao colorido.
O estilo de Edith Head
Diferente de muitos outros designers de moda, Edith Head construiu sua carreira inteiramente dentro dos estúdios. Sua história começou na Paramount Pictures, na década de 1920, como desenhista de esboços. Em 1938, tornou-se chefe do departamento de figurino e foi a primeira mulher a ocupar tal cargo.
Seu estilo era considerado por muitos como pragmático. Diferente de outros, Edith não impunha sua visão artística no filme, ao invés disso, ela consultava os roteiristas e diretores, na intenção de que as roupas fossem adequadas à narrativa. Mais importante ainda, ela era mestre em diplomacia com as estrelas, escondendo “imperfeições” percebidas pelos atores e destacando seus melhores atributos.
O apelido “Edna Modas” não foi dado de forma aleatória. A pequena estilista de “Os Incríveis” foi inspirada majoritariamente no estilo de Edith. A designer usava óculos escuros redondos, franja curta e terninhos discretos, fazendo desse look a sua marca registrada.
As oito estatuetas
O recorde de Edith foi conquistado entre os anos de 1949 e 1974. As obras que lhe garantiram as estatuetas variam entre os mais diversos estilos, abrangendo dramas, comédias, romances e até mesmo filmes de época.
Confira quais títulos levaram ela ao mais alto nível de sucesso cinematográfico:
- Tarde Demais (The Heiress, 1949): Melhor Figurino em Preto e Branco. Venceu por capturar a rigidez da sociedade nova-iorquina do século XIX.
- Sansão e Dalila (Samson and Delilah, 1950): Melhor Figurino Colorido. Épico bíblico dirigido por Cecil B. DeMille, com trajes extravagantes e históricos.
- A Malvada (All About Eve, 1950): Melhor Figurino em Preto e Branco. Um trabalho contemporâneo que definia a personalidade das atrizes Bette Davis e Anne Baxter.
- Um Lugar ao Sol (A Place in the Sun, 1951): Melhor Figurino em Preto e Branco. O vestido de baile tomara-que-caia usado por Elizabeth Taylor tornou-se uma febre na moda americana.
- A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953): Melhor Figurino em Preto e Branco. O filme que apresentou Audrey Hepburn ao mundo, com um visual que misturava realeza e simplicidade casual.
- Sabrina (1954): Melhor Figurino em Preto e Branco. Uma das vitórias mais polêmicas de sua carreira (detalhada na seção de curiosidades).
- O Jogo Proibido do Amor (The Facts of Life, 1960): Melhor Figurino em Preto e Branco. Uma comédia com Lucille Ball e Bob Hope.
- Golpe de Mestre (The Sting, 1973): Melhor Figurino. Seu último Oscar, ganho já no fim da carreira, recriando a moda masculina dos anos 1930 para Paul Newman e Robert Redford.
Curiosidades sobre Edith Head
A história da designer foi cercada de fatos interessantes, alguns deles marcaram inclusive a história do Oscar. Embora Edith Head tenha ganhado o Oscar por Sabrina, grande parte do guarda-roupa da personagem de Audrey Hepburn — incluindo o famoso vestido de baile preto e branco — foi desenhada pelo estilista francês Hubert de Givenchy.
Head recebeu o crédito oficial e o prêmio, pois as regras da época exigiam que o figurinista chefe do estúdio fosse creditado, e ela raramente corrigia a imprensa sobre a autoria dessas peças específicas.
Além do cinema, ela escreveu livros de autoajuda sobre estilo e aparecia frequentemente na televisão, tornando-se uma celebridade por mérito próprio.
O legado de Edith Head permanece inigualável até os dias atuais. Mais do que apenas desenhar roupas, ela entendeu a psicologia por trás do vestuário e como ele influencia a percepção do público sobre um personagem. Seu recorde de 8 Oscars permanece intacto décadas após sua morte, servindo como o padrão ouro de excelência e longevidade na indústria cinematográfica.