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De Astrud Gilberto a Nara Leão: as versões icônicas para 'Garota de Ipanema'

Lançada há 60 anos, em 1963, a canção de Vinicius de Moraes e Tom Jobim é a mais regravada do Brasil em todos os tempos 

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Vinicius de Moraes com Helô Pinheiro, que inspirou a 'Garota de Ipanema', música brasileira mais regravada na história
Vinicius de Moraes com Helô Pinheiro, que inspirou a 'Garota de Ipanema', música brasileira mais regravada na história • Museu da Imagem e do Som/Divulgação

Há 60 anos, a “Garota de Ipanema” reina absoluta na música brasileira. Desde que foi lançada, em 1963, ela já recebeu mais de 440 regravações, de músicos como Dick Farney, Nara Leão, Astrud Gilberto, Elis Regina, Marina Lima, Toquinho, Maria Creuza e mais uma infinidade, passando, claro, por seus autores, Vinicius de Moraes e Tom Jobim.


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“Garota de Ipanema” é, ainda hoje, a música brasileira mais executada em todos os tempos dentro e fora do país. Uma típica peça de bossa nova, composta por dois dos maiores nomes da cena, o poeta Vinicius de Moraes e o maestro Tom Jobim, em 1963, a música segue o “doce balanço” da garota em versos e melodias, num ritmo parecido ao do mar, distante e sereno em sua força, seu poder de síntese e ebulição.

Assim, as imagens do corpo feminino ganham na natureza, e através dela, seu ideal de perfeição. “Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema, o seu balançado é mais que um poema, é a coisa mais linda que eu já vi passar”.


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Importação

Inerte como uma estátua de gesso, os cabelos presos para o alto em um coque elegante, ela movimenta somente a boca com as palavras que tornaram a “Garota de Ipanema” conhecida no mundo inteiro. Depois de Carmen Miranda (1909-1955), foi Astrud Gilberto, que morreu no último dia 5 de junho, aos 83 anos, a principal responsável pela exportação da música brasileira – ainda que em língua estrangeira.

A timidez conhecida transparece no referido vídeo duma apresentação nos Estados Unidos, em 1964, onde apenas os leves movimentos de quadris acompanham o ritmo da “Garota de Ipanema”. Fato é que, ao colocar voz na composição de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, que estava ao piano na ocasião, Astrud contribuiu decisivamente para alavancar as vendas do álbum, e alçar “Garota de Ipanema” ao segundo lugar da parada de sucessos norte-americana, atrás apenas de outra atração estrangeira: os garotos de Liverpool também conhecidos como The Beatles.


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Musa

O público mal conseguia enxergar a cantora, que decidiu se apresentar de costas. Essa foi a terceira vez que Nara Leão subiu ao palco, a primeira em que conseguiu cantar. A timidez impediu que o timbre preciso e a emissão quase silenciosa, de acordo com o tamanho de sua voz, chegassem aos ouvidos da plateia das vezes anteriores. Apesar da voz pequena, Nara, como apontava o sobrenome, era também Leão. 


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Perseguida pelos militares durante a ditadura, Nara se exilou com o marido, o cineasta Cacá Diegues, em Paris, onde finalmente cantou a bossa nova em disco, em 1971. Originalmente, o álbum havia sido concebido com os violões de Nara e da cantora e compositora Tuca, que também morava em Paris na época, mas ele foi rearranjado por Roberto Menescal ao chegar ao Brasil. 

Os grandes estandartes da bossa nova, como “Insensatez”, “Samba de Uma Nota Só”, “Retrato em Branco e Preto”, “Corcovado”, “Garota de Ipanema” e “Chega de Saudade” aparecem no disco, que traz Nara em uma divertida capa, olhando para o céu durante uma tempestade de neve. 


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Ousadia

Marina Lima nasceu no Rio de Janeiro, no dia 17 de setembro de 1955. Cantora e compositora, Marina apareceu para a música brasileira no final da década de 1970, quando se tornou ícone da nova música pop com o disco “Simples Como o Fogo”. No álbum seguinte, Marina gravou “Nosso Estranho Amor”, com Caetano Veloso.

O estouro veio em 1981, com “Certos Acordes”, que trazia as faixas “Charme do Mundo” e “Gata Todo Dia”. Em 1984, Marina lançou “Fullgás”, parceria com o irmão Antônio Cícero, seu principal letrista. Já na década de 1990, Marina, seguiu o conceito pop de inventividade, gravou uma versão prenhe de ousadia para o grande estandarte e maior clássico brasileiro da música popular: “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, se tornou o primeiro videoclipe exibido pela MTV Brasil. Ela havia registrado a canção um ano antes, para o repertório do LP “Próxima Parada”. 


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