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Caso Isabella Nardoni: relembre o crime que virou documentário da Netflix

Documentário sobre o crime estreia nesta quinta-feira (17)

Policiais foram acionados no dia 29 de março de 2008 após o síndico de um edifício alegar que um assaltante entrou em um apartamento e atirou uma criança do sexto andar. A menina era Isabella Nardoni, que à época tinha 5 anos e estava na casa do pai e da madrasta.

A pequena estava em um apartamento do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, onde Alexandre Nardoni (seu pai) e Anna Carolina Jatobá (sua madrasta) viviam com outros dois filhos. Isabella ficava entre a casa do pai e da madrasta e a da mãe, Ana Carolina Cunha.

Quando a polícia chegou ao local encontrou Isabella no gramado e o pai dela, Alexandre, aparentemente preocupado. Ela foi socorrida, mas morreu a caminho do hospital.

No apartamento, Alexandre e Anna Carolina confirmaram a versão de que um assaltante entrou no imóvel e atentou contra Isabella. O casal foi levado para a delegacia, onde foi interrogado por pelo menos 24 horas. Durante depoimento, eles voltaram a falar do suposto roubo.

Naquele dia, Alexandre foi para o apartamento, que fica no sexto andar, com Isabella no colo. Já Anna Carolina ficou na garagem com os outros dois filhos aguardando o marido e a pequena. Neste momento, segundo eles, Alexandre voltou para o carro e pegou um dos meninos.

Porém, assim que chegaram ao apartamento, ele estava com a porta aberta, a tela de proteção de um dos quartos cortada e Isabella caída no gramado. O casal, inclusive, apresentou cerca de 23 nomes, dentre eles, funcionários e pessoas conhecidas. Todos foram interrogados e a polícia descartou qualquer relação deles com o crime.

Depois, outra hipótese foi apresentada: Isabella teria cortado a rede de proteção. No entanto, isso foi descartado pelos investigadores, já que a tela era muito resistente para uma criança de 5 anos cortá-la sozinha.

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Contradições

No decorrer das investigações, a polícia elencou diversas informações desencontradas. O casal foi desmentido por vizinhos e também por registros telefônicos. Em 2008, o promotor Francisco Cembranelli relatou em coletiva que Alexandre e Anna Carolina brigavam frequentemente.

Os policiais não encontraram sinais de arrombamento no apartamento - que poderia justificar a tentativa de roubo - e não havia sinais de luta corporal. Além disso, gotas de sangue de Isabella foram identificadas na entrada da sala e no carro da família. A autópsia também constatou que a pequena foi morta por asfixia antes de ser arremessada pela janela e tinha um ferimento na testa que respingou na sala e no carro.

Reconstituição

O crime foi reconstituído a partir de depoimentos e pistas obtidas pela polícia. Na ocasião, a polícia calculou que entre o desligamento do motor do carro e a queda de Isabella se passaram 12 minutos. A versão de Alexandre e Anna Carolina apontava 19 minutos.

Ainda conforme a polícia, o ferimento na testa de Isabella foi provocado por Anna Carolina dentro do carro. Quando o casal chegou ao apartamento, com os dois filhos dormindo, Alexandre jogou Isabella no chão, que tentou se proteger e fraturou o braço.

Depois de alguns minutos encostada no sofá, Anna Carolina pegou a garotinha e a asfixiou. Logo em seguida, Alexandre cortou a tela de proteção com um tesoura e arremessou a filha desacordada pela janela.

Prisão

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram detidos preventivamente em 3 de abril de 2008. No dia 18, o casal foi indiciado pelo homicídio da pequena. Em maio daquele ano, o juiz acatou a denúncia do Ministério Público e eles foram presos preventivamente novamente.

Ambos - que nunca se declararam culpados - foram condenados por homicídio triplamente qualificado e fraude processual. Enquanto Alexandre pegou pena de 31 anos, Anna recebeu 26.

Alexandre começou a cumprir regime semiaberto em 2019. Em junho deste ano, Anna Carolina conseguiu progressão para o regime aberto.

Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‘NaTelinha’ e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
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