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15 anos sem Waldick Soriano: Relembre sucessos do 'Rei do Brega' 

'Eu Não Sou Cachorro Não', 'A Dama de Vermelho', 'Perfume de Gardênia' e 'Tortura de Amor' estão entre as músicas que o cantor baiano ajudou a eternizar

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Waldick Soriano conjugou sucesso de público com nariz torcido da crítica que o perseguiu
Waldick Soriano conjugou sucesso de público com nariz torcido da crítica que o perseguiu • Museu da Imagem e do Som/Divulgação

Waldick Soriano nasceu em Caetité, no interior da Bahia, no dia 13 de maio de 1933, e morreu no Rio de Janeiro, no dia 4 de setembro de 2008, aos 75 anos, vítima de câncer de próstata. Waldick trabalhou como lavrador, engraxate e garimpeiro, até estourar com o bolero “Quem És Tu?”, na década de 1950, já morando em São Paulo. 

Sem os atributos físicos para se tornar um galã, o artista apostou em um visual inusitado, que combinava óculos escuros a um chapéu de mafioso que imitava Durango Kid, o caubói do cinema norte-americano. 

Rapidamente, Waldick se tornou um fenômeno radiofônico, graças a sucessos como “Tortura de Amor”, “Paixão de Um Homem”, “A Dama de Vermelho”, “Perfume de Gardênia”, entre outros, ao mesmo tempo em que a crítica torcia o nariz e o tachava de cafona. Logo, ele se notabilizou como "Rei do Brega".

Mas a música que ficou para sempre identificada a seu repertório é a derramada “Eu Não Sou Cachorro Não”, misto de desespero e orgulho próprio, lançada pelo cantor em 1972. Um sucesso atemporal, regravado por Reginaldo Rossi e pelo cantor Falcão, dois herdeiros do estilo consagrado por Waldick Soriano, cada um a seu modo, ambos mantendo a veia entregue e excessiva do romantismo.

“A Dama de Vermelho” (foxtrote, 1960) – Ado Benatti e Jeca Mineiro

Ado Benatti, compositor e poeta de Taquaritinga, e Jeca Mineiro, violeiro de Arceburgo, no interior das Minas Gerais, se uniram para criar, em 1960, o foxtrote “A Dama de Vermelho”. Já na segunda gravação, na Chantecler, em 1963, a música teve o ritmo alterado para um bolero, e ganhou as vozes da dupla sertaneja formada por Paiozinho e Zé Tapera. O sucesso foi imediato e permaneceu ao longo do tempo, angariando regravações de Reginaldo Rossi, Waldick Soriano, Bruno & Marrone, Leonardo e Eduardo Costa, o que a tornou cultuada por um público de uma nova geração. “Garçom olhe pelo espelho/ A dama de vermelho que vai se levantar”, anunciam os primeiros versos da letra.

“Tortura de Amor” (bolero, 1962) – Waldick Soriano

Uma das músicas que se impregnaram ao repertório de Waldick Soriano é o bolero “Tortura de Amor”, lançado pelo compositor em 1962. Com seu estilo conhecido, o cantor apresenta as nuances de um amor sofrido, daqueles condenados ao fracasso. Toda a passionalidade transparece nos versos “volta meu amor/ fica comigo/ não me desprezes/ a noite é nossa/ e o meu amor pertence a ti”. Junto à voz poderosa do intérprete, a melodia contundente ajuda a explicar o sucesso dessa canção de dor-de-cotovelo. Em 1977, Maria Creuza realizou uma das mais belas regravações da música, reavivando a sua chama. 

“Eu Não Sou Cachorro Não” (bolero, 1972) – Waldick Soriano

No caso de Waldick Soriano a relação com o cachorro é peculiar, e vem através do reclame. Habitualmente, levar uma “vida de cão”, não era expressão favorável. Como Waldick pertence à tradição da música e dos costumes brasileiros, esse bolero de 1972, um dos mais repetidos no repertório romântico de qualquer cantor, adere à causa perdida e pede clemência. O amor desfeito é novamente o mote da canção. De tão forte, o título se impregnou ao vocabulário brasileiro e ganhou a força de ditado popular. “Eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhado…”, repetem os que são abandonados pelo amor.

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