Concurso para delegado da Polícia Civil de MG: qual o perfil ‘ideal’ para a profissão?

Especialistas analisam etapa psicológica do certame, que terá convocação publicada no dia 27 de fevereiro

A Polícia Civil de Minas Gerais publica na próxima sexta-feira, 27 de fevereiro, a convocação para a etapa de avaliação psicológica do concurso para delegado. A fase é obrigatória, tem caráter eliminatório e costuma ser uma das mais temidas pelos candidatos.

Serão avaliados os concorrentes já aprovados nas provas objetiva, dissertativa e oral, além dos exames médicos. A análise segue critérios previstos no edital e nas resoluções do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e tem como finalidade verificar se o candidato apresenta perfil compatível com o exercício do cargo.

A avaliação considera aspectos como inteligência, aptidões específicas e traços de personalidade. Mas qual é, na prática, o perfil psicológico esperado para um delegado da Polícia Civil?

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Perfil psicológico para um delegado

Segundo as psicólogas Letícia Soares e Juliane Nascimento, especialistas há mais de duas décadas em avaliações psicológicas para concursos nas áreas de Segurança Pública, Direito e Justiça, o modelo buscado atualmente se distancia do estereótipo tradicional da autoridade rígida e pouco acessível.

De acordo com Letícia, a tendência é selecionar profissionais emocionalmente equilibrados, flexíveis e com capacidade de diálogo. A Fundação Getúlio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, estruturou o perfil desejado em quatro grandes eixos: capacidades neurocognitivas, funções executivas, atenção e processamento sensorial e aspectos da personalidade.

Entre as características valorizadas, a empatia aparece como elemento central. A expectativa é que o futuro delegado demonstre percepção das vulnerabilidades sociais, controle de impulsos e habilidade de mediação de conflitos. O objetivo não é classificar candidatos por pontuação, mas identificar aqueles cujo perfil não se alinha às exigências da função.

Nos últimos concursos, observa-se uma ênfase crescente em atributos ligados à inteligência emocional e à liderança equilibrada, o que sinaliza uma mudança no modelo de atuação policial.

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Preparação é diferente de treinamento

Questionadas sobre a possibilidade de “treinar” para a avaliação psicológica, as especialistas são categóricas: não existe treinamento específico para essa etapa.

Há mais de 300 testes psicológicos aprovados pelo CFP que podem ser aplicados, o que torna inviável qualquer tentativa de antecipar exatamente quais instrumentos serão utilizados. A preparação, segundo Juliane, não consiste em repetir testes previamente, mas em desenvolver autoconhecimento, controle emocional e capacidade de tomada de decisão sob pressão.

Assim como o candidato se dedica intensamente às provas teóricas e à preparação física para o Teste de Aptidão Física (TAF), a dimensão psicológica também exige atenção. A diferença é que o foco não está em decorar respostas, mas em fortalecer competências emocionais e comportamentais.

Para as especialistas, o rigor da etapa psicológica não é mera formalidade. Ele define o perfil institucional da Polícia Civil para os próximos anos. Ao estabelecer quais características são indispensáveis ao cargo, a corporação também molda a forma como irá se relacionar com a sociedade.

Datas e vagas

A avaliação psicológica será realizada nos dias 16, 17 e 18 de março, das 8h às 17h, em local ainda a ser divulgado. O concurso registra mais de 15 mil inscritos e prevê o preenchimento de 54 vagas para delegado substituto, com remuneração inicial de R$ 14.931,31.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

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