Na era da inteligência artificial, formar bons leitores se torna cada vez mais essencial
A tecnologia facilita o acesso às respostas, mas compreender, interpretar e questionar continuam sendo habilidades fundamentais para formação do pensamento crítico e autonomia

Uma inteligência artificial pode resumir um livro em poucos segundos, explicar um texto complicado e até produzir uma redação inteira a partir de um simples comando. Diante de tantas facilidades, uma pergunta ganha espaço entre famílias e educadores. Se a tecnologia consegue entregar respostas tão rapidamente, qual será o papel da leitura na formação das novas gerações?
A resposta passa justamente pelas habilidades que nenhuma resposta pronta consegue substituir. Saber ler bem significa compreender o que está sendo dito, relacionar informações, reconhecer diferentes pontos de vista, identificar inconsistências e construir uma interpretação própria. Em um ambiente no qual crianças e adolescentes convivem com uma quantidade crescente de conteúdos produzidos ou organizados por ferramentas digitais, essa capacidade tende a ganhar ainda mais importância.
A leitura, portanto, permanece ligada à formação de pessoas capazes de pensar com autonomia. É esse princípio que orienta o Programa de Leitura das Escolas SESI MG, que acompanha os estudantes ao longo da trajetória escolar e integra livros, bibliotecas, práticas pedagógicas e participação das famílias em uma proposta contínua de formação de leitores.
Ler bem ajuda crianças e jovens a compreender o mundo digital
Durante muito tempo, aprender a ler esteve associado principalmente ao domínio das palavras e à compreensão de textos. Essas habilidades continuam fundamentais, mas o cotidiano digital ampliou o desafio. Hoje, estudantes também precisam entender informações que chegam por vídeos, redes sociais, sites, aplicativos e ferramentas de inteligência artificial.
Nesse cenário, competência leitora envolve repertório, interpretação e capacidade de avaliar aquilo que se apresenta como informação. Um estudante pode receber uma explicação pronta de uma ferramenta digital, por exemplo, mas ainda precisa compreender o conteúdo para saber se aquela resposta faz sentido, se está completa ou se precisa ser questionada.
Esse exercício começa cedo e se fortalece com o contato frequente com diferentes tipos de texto. Literatura, notícias, histórias em quadrinhos, materiais escolares e outros formatos ajudam crianças e adolescentes a ampliar o vocabulário, conhecer novas realidades e desenvolver a capacidade de estabelecer relações entre ideias.
O Programa de Leitura busca estimular o hábito e o prazer de ler enquanto amplia o repertório e a capacidade crítica dos estudantes. Bibliotecários, pedagogos, psicólogos e assistentes sociais também participam desse processo nas unidades.
Programa de Leitura das Escolas SESI MG aproxima livros da rotina dos estudantes
Para que a leitura faça parte da formação, o contato com os livros precisa acontecer com frequência e de diferentes maneiras. Por isso, bibliotecas e acervos são incorporados ao cotidiano das atividades escolares, permitindo que os estudantes tenham acesso a obras adequadas às diferentes etapas de aprendizagem.
Na Educação Infantil, os materiais da Editora SESI Minas são utilizados pelas escolas da rede que oferecem essa etapa de ensino. A proposta é aproximar as crianças dos livros desde cedo, estimulando aprendizado, imaginação, criatividade e curiosidade em uma fase decisiva para a construção de hábitos.
O Sistema de Bibliotecas SESI SENAI/MG também amplia esse acesso. A estrutura reúne as bibliotecas das Escolas SESI, das unidades de educação profissional do SENAI e do Centro Cultural SESIMINAS, com acervos formados por milhares de exemplares, entre livros, periódicos e diferentes materiais de consulta.
O incentivo também ultrapassa os espaços da escola. O programa estimula práticas de leitura em família, reconhecendo que a relação com os livros pode ganhar força quando continua dentro de casa. Compartilhar uma história, conversar sobre personagens ou reservar um momento para a leitura são experiências que ajudam a transformar esse contato em parte da rotina.
Leitura, pensamento crítico e tecnologia podem caminhar juntos
A expansão da inteligência artificial não precisa colocar livros e tecnologia em lados opostos. Pelo contrário, quanto maior o acesso a ferramentas capazes de produzir respostas, resumir conteúdos e organizar informações, maior também é a necessidade de formar pessoas preparadas para compreender e avaliar aquilo que recebem.
Em um futuro cada vez mais marcado pela tecnologia, saber fazer uma pergunta continuará importante, mas compreender a resposta será indispensável. Formar bons leitores significa preparar crianças e jovens para interpretar informações, construir repertório, questionar conteúdos e tomar decisões com maior autonomia. São capacidades essencialmente humanas que ganham novo valor justamente quando tantas respostas passam a estar disponíveis em poucos segundos.
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