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Ministro Renan Filho eleva pressão pelo andamento da CPI da Braskem diante do risco de colapso da mina em Maceió

CPI da Braskem criada em outubro para investigar atuação da empresa em Maceió ainda não foi instalada no Senado Federal

O ministro dos Transportes e ex-governador de Alagoas, Renan Filho, pressionou o Senado Federal pela instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada em outubro para investigar as ações da mineradora Braskem em Maceió (AL). A CPI proposta pelo pai do ministro, o senador alagoano Renan Calheiros (MDB-AL), está paralisada há dois meses porque ainda não há indicações dos partidos a respeito dos membros para compor o colegiado.

A pressão de Renan Filho pela instalação da CPI ocorre diante da ameaça de colapso da mina 18, uma das 35 da Braskem em Maceió. O desastre ambiental, tratado como iminente pelo Serviço Geológico Nacional e pela Defesa Civil do Estado, decorreria da formação de uma cratera do tamanho do estádio do Maracanã que engoliria o Mutange, um dos cinco bairros na área de atuação da mineradora.

“A CPI é muito importante, muito relevante. Os acordos feitos pela Braskem e o ritmo do cronograma [para tornar estáveis as minas exploradas] precisam ficar claros para a população”, afirmou o ministro e também ex-governador de Alagoas em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (1º). “Uma das ferramentas mais eficazes de investigação é uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional, por que ela consegue esclarecer: quem presta serviços para a Braskem? Quanto custa? Qual a situação das licenças ambientais?”, ponderou.

Filho classificou o desastre como uma das ‘maiores tragédias ambientais em remoções de pessoas no mundo’. “Só é comparável com movimento de pessoas em guerra, como na Ucrânia. O que aconteceu em Maceió precisa ser explicado à população”, declarou ele, enviado a Alagoas nessa quinta-feira (30) pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin. O ministro lidera a comitiva do Governo Federal, que trabalha em Maceió com técnicos do Serviço Geológico e da Defesa Civil.

Antes da mobilização de esforços do Executivo, o senador Renan Calheiros já havia cobrado o apoio da presidência para mitigar a situação em Maceió. “A situação é de emergência e exige a participação de todos os Poderes. Faço um apelo ao Executivo, ao Legislativo e ao Judiciário para ajudarmos a debelar o problema”, disse. Na quarta-feira (29), o parlamentar, aliás, cobrou a instalação da CPI. “Quando criei a Comissão Parlamentar de Inquérito foi para resolver o problema e exigir que a responsabilidade jurídica pelas reparações seja levada a efeito”, acrescentou.

A Braskem explora 35 minas em Maceió sob os bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. A retirada de sal-gema, matéria-prima para produção de soda cáustica e PVC, ocorre desde 1976 com a abertura de cavernas. Quarenta e dois anos depois, em 2018, moradores dos cinco bairros começaram a ser afetados por tremores e a exploração acabou interrompida. Na época, cerca de 55 mil pessoas abandonaram seus imóveis por risco de afundamento do solo. A situação caótica se intensificou na mina 18, no bairro do Mutange, com sucessivos abalosos sísmicos. Na quarta-feira, aliás, a prefeitura de Maceió declarou emergência na área.

Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.
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