Itatiaia

COP-28: Marina elogia fundo para financiar países atingidos por desastres climáticos

Ministra do Meio Ambiente concedeu entrevista à Itatiaia, nesta quinta-feira (30), em Dubai

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Ministra vai participar da COP-28, em Dubai
Diogo Zacarias/MMA

A ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, celebrou a aprovação de um fundo para financiar perdas e danos de países vulneráveis em decorrência de desastres climáticos. A medida foi anunciada já no primeiro dia Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP-28), nesta quinta-feira (30/11), em Dubai.

Em entrevista à Itatiaia, em Dubai, a ministra disse esperar resultados do tipo e que a conferência chancele a urgência sobre o que o mundo está enfrentando atualmente, fazendo com que países saiam do encontro comprometidos a evitar que a temperatura média da Terra suba 1.5 ºC em até quatro anos. “Hoje, nós já tivemos uma boa esperança, que foi a aprovação do fundo de perdas e danos. E com um aporte em torno de US$ 400 milhões feito por vários países ricos. Isso é uma demonstração de que quando nós fazemos uma discussão aberta, com todos aqueles que fazem parte do problema e da solução, encontramos os caminhos.”

A ministra disse que as discussões sobre reparações para países vulneráveis que foram prejudicados eram um tabu, mas que, hoje, debates sobre mudanças climáticas já começam com a apresentação de mecanismos aprovados. “Agora, precisamos que tenhamos mais ambição em relação a alcançar os resultados na agenda de adaptação e mitigação, e, principalmente, os meios de implementação, como aquele fundo de US$ 100 bilhões por ano que havia sido acordado e que infelizmente não foi cumprido até hoje. Nós queremos sair daqui com o compromisso de todos os países de que o que estamos fazendo ainda é insuficiente, que é preciso fazer mais e na velocidade que o problema exige.”

Marina Silva voltou a dizer que o Brasil chega à COP-28 liderando pelo exemplo, com resultados positivos sobre queda de desmatamento e de emissão de dióxido de carbono (CO2). “Mas nós queremos ir além, ao desmatamento zero. Queremos ter metas setoriais para a indústria, transporte, energia, todos os setores. É assim que a gente vai fazer frente ao pior problema que a humanidade já teve diante de si para enfrentar.”

Para a ministra, o debate sobre aumento da temperatura global passa por um esforço sobre o uso de combustíveis fósseis. “O debate sobre exploração de petróleo é global. Todos os países que são exploradores de petróleo terão que participar dos esforços e não só os que exploram, mas aqueles países que são consumidores de petróleo, os que fazem a demanda por ele. Então, é debate que o mundo precisa enfrentar e junto com ele também o Brasil. Não é algo que um país sozinho possa enfrentar.”

Mecanismo global
Na entrevista, a ministra disse que o Brasil vai propor à COP-28 um mecanismo de financiamento que atenda países que preservarem e recuperarem florestas tropicais. Ao menos 80 países podem ser beneficiados diretamente com a proposta brasileira.

“Temos uma proposta que ajudará esses países detentores de florestas tropicais a terem recursos, com pagamento por cada hectare de floresta preservada. É uma proposta altamente inovadora a partir de recursos que não serão retornáveis, mas que não significará caridade de parte dos países ricos. É claro que eu não tenho como adiantar ainda, como é esse mecanismo, mas eu posso dizer que é mecanismo altamente inovador e que possibilitará a que países desenvolvidos possam de fato manifestar, na prática, pelo aporte dos recursos necessários o compromisso que tem com a preservação das florestas e a manutenção dos serviços ecossistêmicos e a proteção da biodiversidade e dos povos originários”, disse a ministra.

Os recursos serão repassados por países desenvolvidos. “Não serão como o Fundo Amazônico, não são recursos na categoria de doação. O país que aporta recursos, ele terá o retorno necessário do recurso que ele está aportando para esse fundo.”

PorÉ jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.
PorEdilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.