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Operação policial na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, deixa 21 mortos

Umas das vítimas é uma moradora, de 41 anos, atingida por uma bala perdida 

O número de mortos durante uma operação policial nesta terça-feira (24) na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, subiu de 12 para 21, informaram a Secretaria de Saúde e a polícia. 

A Secretaria Estadual de Saúde confirmou à AFP que até agora registrou "20 mortes", além de sete pacientes que estão recebendo atendimento médico em um hospital. 

A esse balanço se soma uma vítima de bala perdida cuja morte foi confirmada pela polícia anteriormente.

É a segunda operação policial com um alto número de mortes no local este ano, onde, segundo a polícia, estão escondidos líderes do "Comando Vermelho".

A polícia afirmou que foi recebida a tiros por supostos criminosos no alto da favela quando se preparava para começar a operação, que buscava "localizar e capturar líderes criminosos" escondidos. 

"Aquela facção criminosa [CV] costuma fazer invasões em outras áreas, tínhamos o indicativo que essa quadrilha se deslocaria pela cidade", detalhou o comandante do Bope, Uirá do Nascimento Ferreira, que atuou em conjunto com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

No "confronto", segundo a polícia, morreram onze supostos criminosos e uma moradora de um bairro próximo à Vila Cruzeiro, que foi atingida por uma bala perdida. 

A polícia não descarta novas vítimas, já que o tiroteio ocorreu em uma área de vegetação fechada e novos corpos podem ser encontrados.

Os agentes apreenderam 13 fuzis, 12 granadas, quatro pistolas e uma quantidade indeterminada de drogas. Além disso, foram confiscados vinte motos e vinte carros que supostamente pertencem à quadrilha.

As autoridades informaram que ao menos 19 escolas da região fecharam devido ao tiroteio que, de acordo com o relato de moradores, começou de madrugada. Ao meio-dia, tiros e explosões ainda podiam ser ouvidos perto da favela, segundo um fotógrafo da AFP.

O Comando Vermelho é responsável por "mais de 80% dos confrontos armados no Rio", segundo Ivan Blaz, porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

População em risco 

Em frente à porta do hospital Getúlio Vargas, a cinco minutos da Vila Cruzeiro, uma dezena de vizinhos e parentes dos mortos, em sua maioria mulheres, buscavam informações sobre seus entes queridos na terça-feira. Desconsolados, alguns gritavam e choravam.

"Essas operações policiais em favelas colocam em risco a vida de toda a população, impedem o funcionamento de serviços públicos e do comércio, (...) e não resolvem absolutamente nenhum problema de segurança", disse à AFP Guilherme Pimentel, Ouvidor da Defensoria Pública do Rio.

"Sabemos que essas operações jamais seriam toleradas em bairros nobres da cidade. É preciso que também não sejam mais toleradas nas favelas”, acrescentou.

A Human Rights Watch lamentou as mortes e exigiu uma investigação "imediata" e "exaustiva" do que aconteceu. "O Rio precisa urgentemente de uma nova política de segurança pública que não seja a bala", afirmou.

A Vila Cruzeiro, uma das favelas que compõem o Complexo da Penha, foi palco em fevereiro de outra operação semelhante que deixou oito suspeitos mortos. 

Foi lá também que o jornalista Tim Lopes foi torturado e executado por traficantes em 2002, enquanto fazia uma reportagem sobre abuso infantil na favela.

Violência endêmica 

O Rio completou este mês um ano da operação policial mais mortal de sua história na favela do Jacarezinho, localizada a oito quilômetros de Vila Cruzeiro, onde 28 pessoas morrerem em uma operação contra o tráfico em 6 de maio de 2021. 

Em 2021, a polícia do estado do Rio causou a morte de 1.356 pessoas, enquanto em todo o Brasil houve um total de 6.133 mortes nas mãos das forças policiais, segundo o projeto Monitor da Violência. 

O Rio, cidade com problemas crônicos de violência policial, planeja instalar cerca de 8.000 câmeras nos uniformes dos policiais, medida que especialistas dizem estar mostrando resultados promissores em outros estados brasileiros, embora não constitua por si só uma "panaceia" contra os excessos. 

O início do projeto, originalmente previsto para maio, foi adiado para junho, segundo a imprensa local.

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