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Tarifa de reciprocidade pode encarecer importados e afetar crescimento, avalia economista

Governo Lula anunciou o início das consultas diplomáticas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica

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Economista vê risco de pressão sobre preços e crescimento no longo prazo • Divulgação

A abertura do processo de reciprocidade contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos pode gerar efeitos sobre os preços, o comércio exterior e até a capacidade de crescimento da economia brasileira no longo prazo, segundo avaliação do economista sênior João Pedro Revoredo, da LCA Consultores. O governo Lula anunciou nessa quinta-feira (13) o início das consultas diplomáticas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica.

A medida é uma resposta às sobretaxas adotadas pelo governo de Donald Trump. Desde julho, produtos brasileiros passaram a sofrer tarifas adicionais de 25% e 12,5% nos Estados Unidos, conforme os produtos e as regras aplicáveis. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as novas medidas atingem, em conjunto, cerca de 23,1% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano.

Para Revoredo, a sobretaxa americana tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos. Com o imposto adicional, os produtos chegam mais caros ao consumidor norte-americano, que pode optar por mercadorias de outros países. “Isso afeta a decisão de consumo lá nos Estados Unidos, o que no final vai afetando a cadeia produtiva como um todo brasileira”, explicou o economista.

Na avaliação dele, o efeito ocorre porque o importador ou consumidor norte-americano passa a comparar os produtos brasileiros com os de outros países. Caso o item brasileiro fique relativamente mais caro em razão da tarifa, pode haver redução da demanda e, consequentemente, dos embarques do Brasil para os Estados Unidos.

Reciprocidade pode encarecer produtos americanos no Brasil

O segundo efeito apontado pelo economista está relacionado à eventual aplicação de tarifas brasileiras sobre produtos norte-americanos. Revoredo ressalta que ainda é necessário conhecer os detalhes da medida para avaliar com precisão seus impactos. “Dependendo da forma que essa medida de reciprocidade acontece, ela vai ter efeitos diferentes”, afirmou.

Em uma hipótese na qual o Brasil aplique uma tarifa equivalente à adotada pelos Estados Unidos, os produtos norte-americanos importados pelo país ficariam mais caros. Com isso, consumidores e empresas brasileiras poderiam reduzir a compra de mercadorias dos Estados Unidos e buscar fornecedores de outros parceiros comerciais. “Se o produto americano chega no Brasil mais caro, naturalmente isso faz com que a gente consuma menos esse produto, porque ele está mais caro”, explicou.

O movimento poderia provocar uma substituição das importações brasileiras, com parte da demanda migrando para produtos de outros países. Ainda assim, os itens norte-americanos que continuassem entrando no mercado brasileiro chegariam com preços maiores, o que poderia exercer pressão sobre a inflação.

Impacto depende do tipo de produto

O efeito sobre os preços, porém, dependeria dos produtos que eventualmente fossem atingidos pela reciprocidade. Segundo Revoredo, a aplicação de tarifas sobre bens de consumo teria impacto mais direto sobre os preços pagos pelos consumidores. Já uma sobretaxa sobre bens de capital poderia trazer consequências mais profundas para a economia, uma vez que esses produtos são utilizados pelas empresas para ampliar ou manter a capacidade produtiva.

“Quando você encarece esse bem de capital, que é o que possibilita a gente aumentar nossa capacidade produtiva, por vezes até repor nossa capacidade produtiva, isso afeta a capacidade de crescimento de longo prazo da economia”, afirmou. O economista destaca que essa é uma das possibilidades de impacto e que a avaliação definitiva dependerá do formato escolhido pelo governo brasileiro.

Brasil inicia consultas diplomáticas

O governo brasileiro informou nessa quinta-feira (13) que notificará oficialmente a Casa Branca sobre o início das consultas diplomáticas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica. Segundo o Palácio do Planalto, o objetivo inicial é buscar formas de reduzir ou eliminar os efeitos das tarifas e contramedidas.

O governo também voltou a classificar as tarifas norte-americanas como “injustificadas e arbitrárias” e afirmou que continuará buscando alternativas diplomáticas, além da diversificação de parceiros comerciais e da abertura de novos mercados para produtos brasileiros. Enquanto o processo avança, a definição de quais produtos poderão ser atingidos por eventuais medidas de reciprocidade será determinante para dimensionar os efeitos sobre consumidores, empresas, inflação e crescimento econômico.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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