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Luiza Trajano prevê 50% de mulheres em altos cargos no mercado até 2030

Em entrevista à CNN Money, empresária fala sobre o Summit Mulheres nas Profissões e os desafios da liderança feminina no mercado de trabalho

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A empresária Luiza Helena Trajano
A empresária Luiza Helena Trajano • MAURO PIMENTEL / AFP

A primeira edição do Summit Mulheres nas Profissões, promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, acontecerá nos dias 4 e 5 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento reunirá mais de cem lideranças femininas e espera receber cerca de dez mil participantes, com o objetivo de debater os desafios do futuro do trabalho, da liderança e da economia brasileira.

Em entrevista à CNN Money, Luiza Helena Trajano, uma das idealizadoras do Grupo Mulheres do Brasil, destacou que, apesar dos avanços na participação feminina no mercado, ainda há muito a ser feito nos escalões mais elevados. O Summit integra um movimento mais amplo que prevê um planejamento estratégico para alcançar 50% de mulheres em altos cargos até 2030.

"Sentimos que precisamos dar um salto em altos cargos", afirmou Trajano. Segundo ela, apenas 18% das cadeiras na política são ocupadas por mulheres, e presidentes de bancos e do varejo ainda são majoritariamente homens.

A empresária ressaltou que esse objetivo passa tanto por políticas públicas quanto pela conscientização da sociedade. Ela citou como exemplo a aprovação recente de cotas para mulheres em conselhos de empresas públicas e de economia mista.

"Cota é um processo transitório para acertar uma desigualdade", explicou Luiza Helena Trajano, rebatendo críticas que associam o mecanismo à meritocracia. "Se for espontaneamente, nem sua bisneta vai estar no conselho", disse, em referência à lentidão das mudanças sem intervenção estrutural.

Ao analisar os entraves para que as mulheres ocupem cargos de liderança, Trajano apontou as chamadas "crenças limitadas" como um dos principais obstáculos históricos. Ela também mencionou o peso de uma estrutura cultural marcada pelo machismo e pelo coronelismo, que durante séculos impediu as mulheres de exercerem papéis de protagonismo.

Por outro lado, destacou que o próprio Grupo Mulheres do Brasil trabalha para fortalecer a autoconfiança das mulheres, que muitas vezes se sentem pressionadas a estar "mais do que preparadas" antes de assumir posições de destaque.

Trajano também abordou as transformações do mercado de trabalho impulsionadas pela inteligência artificial, classificando o momento como "a terceira grande transformação", após a era digital e a do mobile. Ela defendeu uma abordagem seletiva diante das novas tecnologias, focando no que é essencial. "Eu acho que vai ser um tsunami mesmo", afirmou.

O Summit contará com um espaço dedicado ao futuro do trabalho voltado para jovens de escolas públicas e universidades, onde serão discutidas as novas dinâmicas profissionais com reitores, universitários e estudantes.

O evento terá oito palcos com representantes de mais de 15 profissões diferentes, abrangendo setores como tecnologia, ciência, agronegócio e serviços gerais. Trajano ressaltou que o summit é aberto a todos — homens inclusive —, e que haverá espaço para que mães possam deixar seus filhos durante o evento.

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