Eleição 2026: Ibovespa salta a 209 mil pontos e dólar fica abaixo de R$ 5 após 1º turno
Mercado financeiro reagiu com otimismo ao resultado do primeiro turno eleitoral, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT). A Bolsa de Valores alcançou um recorde, e o dólar e os juros futuros caíram significativamente

O mercado financeiro brasileiro reagiu com euforia nesta segunda-feira (5) ao resultado do 1º turno das eleições, que apontou Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) atingiu um recorde histórico, superando os 209,5 mil pontos, enquanto o dólar e os juros futuros apresentaram forte queda.
Nas negociações desta segunda-feira (5), o Ibovespa futuro com vencimento em outubro chegou a saltar 8,43%. Por volta das 10h36 (de Brasília), o principal indicador do mercado brasileiro de ações subia cerca de 9%, alcançando 209.554 pontos.
No câmbio, o dólar abriu com forte recuo de 4,26%, sendo negociado abaixo de R$ 5. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) também iniciaram a sessão com baixas significativas, aproximando-se de 100 pontos-base nos contratos mais longos.
No mesmo horário em que o Ibovespa subia, a taxa do DI para janeiro de 2028 registrava 12,725%, uma queda de quase 100 pontos-base em relação ao ajuste de 13,509% da sessão anterior. A redução dos prêmios na curva foi mais acentuada no trecho longo, que é mais suscetível à política fiscal.
Essa euforia do mercado é atribuída à percepção de que Flávio Bolsonaro é um nome mais inclinado a priorizar o ajuste das contas públicas, apesar de seus planos para a área não estarem totalmente claros. Por outro lado, Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta a desconfiança de uma parcela significativa do mercado, cenário que em outras ocasiões já gerou forte especulação sobre os mercados.
O resultado das urnas também impulsionou ativos brasileiros no exterior e elevou as expectativas para uma forte alta do Ibovespa na abertura do pregão. O mercado reage ao resultado do 1º turno da corrida eleitoral, que evidenciou um avanço da direita no Brasil, com a ascensão de partidos como o PL no Congresso Nacional. Além disso, Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na votação.
Ações de empresas brasileiras listadas nos Estados Unidos apresentaram valorização no exterior. Durante a abertura de mercado em Nova York, a Petrobras subia cerca de 9,7%, enquanto o Itaú Unibanco, maior banco privado da América Latina, registrava alta de mais de 16%. O banco Bradesco avançava 16% e a fabricante de aeronaves Embraer subia 2,7%. As ações do Nubank se valorizavam cerca de 13%.
"O desempenho (de Bolsonaro) acima do esperado e a guinada à direita no Congresso devem apoiar o Ibovespa e exercer pressão baixista sobre os rendimentos de longo prazo", afirmou Andrés Abadia, economista-chefe para a América Latina da Pantheon Macroeconomics. O resultado do 1º turno confere a Flávio Bolsonaro um nível de favoritismo no 2º turno que não era previsto, segundo fontes ouvidas pelo CNN Money.
O entusiasmo do mercado deve prosseguir nesta segunda-feira, contribuindo para a valorização da bolsa e do real, e para a redução dos juros futuros. Isso expressa uma leitura dos resultados tanto para o Executivo quanto para o Legislativo: os investidores interpretaram o avanço da direita como uma forma de repercussões eleitorais no cenário econômico. Mais do que a possibilidade de troca de presidente, a expectativa é de que, se eleito, Flávio Bolsonaro encontre condições políticas para conduzir a agenda econômica desejada pelo mercado. A leitura do mercado sobre Flávio Bolsonaro e juros é um fator determinante.
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