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Gasolina pura no posto? Entenda o que pode mudar para o motorista

Projetos em discussão no Congresso propõem novas opções de combustível; especialista do Senai explica efeitos no consumo, desempenho e manutenção dos veículos

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Gasolina com mais etanol como proteger seu carro da nova mistura de combustível
Imagem de um posto de combustível • Foto: Unsplash

O motorista brasileiro poderá ter, no futuro, mais opções na hora de abastecer. Projetos em discussão no Congresso Nacional propõem a comercialização de gasolina com menor quantidade de etanol ou até mesmo gasolina pura, sem o biocombustível.

A discussão ganhou força após o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina para 32%, o chamado E32. Uma das propostas prevê a oferta de gasolina pura e da mistura E10, com 10% de etanol. Outra estabelece a possibilidade de comercialização de gasolina sem etanol para determinados veículos.

Mas o que uma eventual mudança representaria para quem está ao volante?

Gasolina com menos etanol pode aumentar autonomia

Segundo o instrutor do Senai Valter José Teixeira, a gasolina com menor concentração de etanol pode proporcionar maior autonomia por litro. “Com a gasolina pura, o motor é preparado para ter um consumo bem melhor”, explica.

Maior autonomia, no entanto, não significa necessariamente economia. A gasolina sem etanol tende a custar mais por litro. Por isso, o motorista precisaria considerar o preço na bomba e o consumo do veículo.

E32 preocupa veículos mais antigos

Os principais pontos de atenção estão nos veículos antigos, fabricados para funcionar exclusivamente com gasolina.

De acordo com Valter, esses modelos não foram projetados para trabalhar com concentrações elevadas de etanol. O combustível pode afetar componentes como tanque, bomba de combustível, tubulações e bicos injetores.” Os carros mais antigos, que são só gasolina, não estão preparados para receber esse percentual alto de etanol misturado na gasolina”, afirma.

Segundo o especialista, alguns veículos podem apresentar falhas de funcionamento com a mistura mais elevada, principalmente quando seus componentes não são compatíveis com o percentual de etanol utilizado atualmente.

Valter José Teixeira, instrutor Senai • Fabiano Frade/Itatiaia
Valter José Teixeira, instrutor Senai • Fabiano Frade/Itatiaia

Carros flex

Nos veículos flex, a situação é diferente. Produzidos no Brasil desde 2003, esses modelos foram desenvolvidos para funcionar com gasolina, etanol ou diferentes proporções dos dois combustíveis.

O sistema eletrônico do veículo identifica a composição utilizada e ajusta o funcionamento do motor.

Valter ressalta apenas que, quando há uma troca completa de combustível, é recomendável rodar com o carro para que o sistema reconheça a nova condição.

Quem poderia optar pela gasolina pura?

Segundo o instrutor do Senai, existe público para a gasolina sem etanol, principalmente entre proprietários de veículos que não utilizam tecnologia flex.

A estimativa apresentada pelo especialista é de que aproximadamente 80% da frota brasileira seja formada por veículos flex, enquanto cerca de 20% utiliza apenas gasolina.

Nesse cenário, a gasolina pura seria uma alternativa voltada principalmente a uma parcela específica da frota.

Por enquanto, os projetos que tratam da comercialização de gasolina sem etanol ainda estão em discussão. Não há decisão que determine a venda obrigatória do combustível nos postos.

Se a alternativa for autorizada, o consumidor deverá considerar não apenas o preço por litro, mas também o consumo, a autonomia e as características do próprio veículo.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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