Itatiaia

FIEMG pede mais prazo para indústria se adaptar à reforma tributária e à jornada de trabalho

Flávio Roscoe alerta para aumento de custos, necessidade de novas contratações e risco de fechamento de empresas; CNI defende prorrogação dos prazos ou medidas para evitar penalidades

Por
Imagem da sede da Fiemg • Divulgação / Fiemg

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) defende a ampliação do prazo para que as empresas se adaptem às mudanças previstas na reforma tributária e nas regras da jornada de trabalho. O presidente da entidade, Flávio Roscoe, alerta que as novas exigências podem elevar os custos de produção e comprometer a viabilidade de alguns negócios.

Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (29), na abertura do evento Imersão Indústria, no BH Shopping, em Belo Horizonte, Roscoe afirmou que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a prorrogação dos prazos ou a adoção de medidas para evitar penalidades às empresas que não conseguirem cumprir as exigências dentro do período estabelecido. “Todas as duas deliberações, tanto com relação à redução de jornada e mudança da escala, quanto à reforma tributária, a deliberação é solicitação de uma prorrogação ou, eventualmente, evitar penalidades para as empresas que ainda não conseguirem cumprir”, declarou.

Prazo para negociações preocupa indústria

Um dos pontos de preocupação é o prazo para que as empresas negociem novas convenções coletivas com os sindicatos dos trabalhadores. Segundo Roscoe, as negociações precisam ser concluídas até 15 de dezembro, o que deixa pouco tempo para discutir as mudanças e reorganizar as jornadas de trabalho.

“Convenção coletiva envolve uma pauta, é abrir uma negociação que, na maior parte dos setores, já foi feita. Você vai ter que, muitas vezes, o sindicato dos trabalhadores convoca a assembleia, eventualmente pode não ser aprovado na primeira assembleia, volta para a pauta, para a negociação, volta para uma assembleia e a medida entra em vigor quase que instantaneamente”, explicou.

Para o presidente da FIEMG, o cronograma precisa levar em consideração a complexidade das negociações e a capacidade de adaptação das empresas. “Então, efetivamente, tem espaço e deve, na nossa leitura, ter algum tipo de consideração”, afirmou.

Empresas podem precisar contratar mais trabalhadores

Roscoe também demonstrou preocupação com a disponibilidade de mão de obra para atender às mudanças na jornada de trabalho. Segundo ele, alguns setores podem precisar contratar até 20% mais funcionários para manter o mesmo nível de produção, o que exigiria não apenas novas contratações, mas também treinamento. “O cenário é bastante complexo. As empresas vão ter que correr atrás, sob o risco também de onde vai achar essa mão de obra, onde você vai treinar, onde tem esse exército de pessoas disponível para ser contratado para os negócios”, disse.

O dirigente alertou ainda que o aumento dos custos pode levar empresas a rever a continuidade das atividades ou repassar as despesas ao consumidor. “Alguns negócios também estão revisitando a sua viabilidade. A minha empresa hoje é viável com 20% a mais de funcionários com a mesma receita?”, questionou.

Segundo Roscoe, diante desse cenário, parte das empresas pode considerar o encerramento das atividades, enquanto outras podem optar pelo reajuste de preços para compensar os custos adicionais.

Reforma tributária também gera preocupação

A indústria também cobra previsibilidade para a implementação da reforma tributária. Para Roscoe, as empresas precisam de tempo e clareza sobre as regras para planejar a adaptação de sistemas, processos internos e operações.

A posição da FIEMG é que o cronograma considere as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo e permita que as empresas se ajustem às novas exigências sem ficarem sujeitas a penalidades por não conseguirem cumprir os prazos.

Evento reúne empresários em Belo Horizonte

A abertura do Imersão Indústria ocorreu nesta quinta-feira, no BH Shopping, no bairro Belvedere, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O evento reúne empresários e representantes do setor produtivo em painéis sobre tributação, relações de trabalho, juros, crédito e estratégias de negócios.

Segundo Flávio Roscoe, a programação também busca discutir as perspectivas para o mercado diante das transformações que afetam a indústria.

Por

Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

Belo Horizonte