Tecnologia e investimento marcam debate sobre o futuro da infraestrutura
Especialistas destacam papel da IA, energia e capital privado no desenvolvimento do setor

O painel de encerramento do terceiro ciclo do Eloos Itatiaia reuniu Bruno Baeta, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada (Sicepot-MG); Paulo Resende, professor e diretor do Núcleo de Logística, Supply Chain e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral (FDC); Marcelo Souza e Silva, presidente do Sebrae; e Reynaldo Passanezi, CEO da Cemig, para discutir os avanços tecnológicos no setor de infraestrutura.
O debate destacou o uso da inteligência artificial no monitoramento urbano e na segurança pública, o conceito de cidades inteligentes e os caminhos para a eletrificação.
Paulo Resende chamou atenção para o baixo nível de investimento em infraestrutura no país. “O Brasil é a única entre as 20 maiores economias do mundo que investe menos de 2,5% do PIB no setor. Isso não é coincidência”, afirmou. Segundo ele, o desafio passa por ampliar a participação da sociedade e da iniciativa privada. “O orçamento público não é suficiente para atender à demanda. O poder público precisa se concentrar na boa modelagem de projetos e garantir segurança jurídica para atrair investimentos de longo prazo”, disse.
Bruno Baeta destacou a preparação do setor para um ciclo de crescimento. “O mercado está pronto para um aumento dos investimentos privados em Minas Gerais. A sociedade civil organizada tem se mobilizado para esse momento”, afirmou. Ele também ressaltou iniciativas voltadas à qualificação profissional, como a criação de uma escola técnica para a construção pesada, com apoio do Senai.
Reynaldo Passanezi abordou os desafios da transição energética e o volume de investimentos no cenário internacional. “O mundo investe cerca de US$ 2,3 trilhões por ano em transição energética, valor superior ao PIB brasileiro. No Brasil, esse montante é de aproximadamente US$ 40 bilhões, o que mostra o quanto ainda precisamos avançar”, disse.
Segundo ele, o setor elétrico é base para o desenvolvimento das demais áreas. “A infraestrutura das infraestruturas é a energia. Não há mobilidade ou serviços urbanos sem eletricidade. Investir nesse setor é essencial”, concluiu.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.
