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Agro brasileiro cresce, mas enfrenta desafios com as condições da economia

Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), comenta o cenário do agronegócio no Brasil

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Antônio de Salvo destaca que a taxa Selic elevada tem afetado diferentes atividades produtivas no país • CNN Brasil

O agronegócio é uma potência no Brasil. Um país que, no passado, enfrentava limitações como solos de baixa fertilidade, transformou-se em um dos maiores produtores mundiais de grãos, carnes e outros alimentos. Para o presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da CNA, Antônio de Salvo, esse crescimento é resultado do esforço de brasileiros e brasileiras que trabalham para abastecer o país e o mundo.

“Os brasileiros reinventaram esse país. Áreas antes consideradas não produtivas, como o Cerrado, passaram a produzir. Há grande mérito nesses trabalhadores que, com dedicação, contribuem para a segurança alimentar de boa parte do mundo. O Brasil tem esse potencial e, muitas vezes, não o valoriza. Hoje, em qualquer mercado, cidade, município ou distrito do país, há alimentos produzidos por nós”, afirma.

Salvo também destaca que o Brasil possui uma das maiores áreas preservadas do mundo, com cerca de 66% do território.

“Nenhum outro país tem algo semelhante. Os Estados Unidos, por exemplo, têm cerca de 30% de áreas preservadas, enquanto a Europa, de modo geral, mantém aproximadamente 5%. No Brasil, preservamos o meio ambiente e seguimos produzindo. Utilizamos pouco mais de 10% do território para lavouras e cerca de 20% para a pecuária. O restante inclui áreas urbanas e biomas preservados”, explica.

Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) • Reprodução Itatiaia
Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) • Reprodução Itatiaia

Economia no agro

Apesar dos avanços, o setor enfrenta desafios que impactam diretamente a produção e reduzem as margens de lucro. Segundo Salvo, a taxa Selic elevada tem afetado diferentes atividades produtivas no país.

“Não há atividade produtiva que consiga sustentar juros tão altos. O produtor precisa de crédito para investir, e as margens dentro da porteira são muito apertadas. Além disso, há incertezas em relação ao diesel e aumento nos custos de insumos. A ureia, por exemplo, já ultrapassa R$ 4.500 por tonelada. Mas, há quatro meses, estava abaixo de R$ 2.000. Isso representa um problema não apenas para quem produz, mas também para o consumidor”, avalia.

Ele ressalta que o aumento dos custos no campo tende a impactar diretamente o preço dos alimentos. “Qualquer elevação de custos chega ao consumidor, principalmente às populações de menor poder aquisitivo. Por isso, é fundamental compreender a realidade da agricultura e da pecuária antes de fazer avaliações sobre o setor”, conclui.

Confira a reportagem completa:

 

 

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.