Itatiaia

Custo da construção sobe 8,25% em Minas e pode pressionar preço dos imóveis

Mão de obra e insumos foram os pontos que mais elevaram os preços

Por
Imagem meramente ilustrativa • Freepik

O custo da construção civil em Minas Gerais subiu 8,25% entre janeiro e julho de 2026, quase o dobro da inflação oficial registrada no período, de 3,5%. Os dados foram compilados pelo Sinduscon-MG (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais).

O principal responsável pela alta foi o custo da mão de obra, que avançou 12,84% nos primeiros sete meses do ano. Segundo a economista-chefe do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos, o indicador de mão de obra não considera apenas os salários. Entram na composição itens como transporte dos trabalhadores e benefícios previstos em convenção coletiva, como a cesta básica.

“A mão de obra pesa cerca de 55% do custo da construção”, explica Ieda.

Além da mão de obra, os insumos também contribuíram para a elevação dos custos. Produtos que têm derivados de petróleo em sua composição sofreram aumentos, em parte influenciados pelo cenário geopolítico internacional e pela variação do preço do petróleo.

Segundo semestre deve ter alta mais moderada

A expectativa do setor é de que os custos apresentem alguma estabilização no segundo semestre, mas ainda não há garantia de que isso aconteça.

De acordo com Ieda Vasconcelos, o comportamento dos preços continuará condicionado a fatores externos, como o preço do petróleo, os conflitos geopolíticos e o mercado de commodities. Outro fator importante será a negociação coletiva dos trabalhadores da construção civil, que terá nova rodada de negociações a partir de novembro.

A tendência, segundo ela, é que o ritmo de aumento dos custos seja menor do que os 8,25% registrados até julho. Mesmo assim, o setor já trabalha com a perspectiva de que a construção civil encerre 2026 com uma alta superior à inflação.

A economista lembra que os custos do setor vêm acumulando aumentos expressivos desde o início da pandemia, em 2020. Uma eventual estabilização, portanto, não significa redução dos preços, mas apenas uma desaceleração das altas.

Ieda Vasconcelos • Fabiano Frade/Itatiaia
Ieda Vasconcelos • Fabiano Frade/Itatiaia

Imóveis novos podem ficar mais caros

O aumento dos custos também pode chegar ao consumidor, principalmente no mercado de imóveis novos. Em Belo Horizonte, o cenário é agravado pela baixa oferta de unidades disponíveis e por uma demanda considerada consistente.

Com custos mais elevados, oferta restrita e demanda firme, parte desse aumento pode ser repassada aos preços dos novos empreendimentos. “Não está descartado” que o aumento dos custos pressione os preços dos imóveis, avalia Ieda.

Para quem já pretende comprar um imóvel, a recomendação da especialista é ficar atento às oportunidades disponíveis no mercado, diante da possibilidade de novos aumentos.

Juros altos também pressionam o setor

Além dos custos diretamente ligados à construção, o setor enfrenta outro desafio: as taxas de juros elevadas.

Segundo o Sinduscon-MG, os juros permanecem em patamar de dois dígitos desde 2022, aumentando o custo do capital de giro utilizado pelas empresas para financiar obras e investimentos.

Na prática, mesmo que os preços de materiais e da mão de obra apresentem alguma desaceleração, o custo financeiro continua pressionando o orçamento das construtoras.

Por isso, o comportamento dos preços dos imóveis nos próximos meses dependerá de uma combinação de fatores: custos de construção, oferta e demanda, inflação, juros e cenário econômico internacional.

Por

Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

Belo Horizonte