Condomínio sobe acima da inflação e inadimplência preocupa moradores e síndicos
Levantamento mostra que taxa condominial aumentou 6,8% em 2025, enquanto a inflação oficial ficou em 4,26%

Manter as contas do condomínio em dia tem se tornado um desafio cada vez maior para os brasileiros. Um levantamento da Superlógica, empresa brasileira de tecnologia e instituição financeira especializada em sistemas de gestão e pagamentos para negócios de cobrança recorrente , aponta que a taxa condominial registrou alta de 6,8% em 2025, percentual superior à inflação oficial do período, de 4,26%. Com isso, o valor médio do condomínio no Brasil chegou a R$ 828 por mês.
O aumento pesa no orçamento de milhares de famílias e, em alguns casos, já influencia até a decisão sobre onde morar. A servidora pública Juliana Borges afirma que o valor do condomínio tem comprometido as finanças da família. "Pesa no bolso. Não sei onde nós vamos chegar se o negócio continuar aumentando desse jeito." Ela conta que já procurou imóveis com taxas condominiais menores. "Já cheguei a procurar outros lugares que tenham um condomínio mais em conta, porque está difícil."
A percepção é compartilhada pelo vendedor Samuel Ribeiro, que considera o valor cobrado incompatível com os serviços oferecidos. "Está bem caro para um condomínio que não entrega muita coisa."
Inadimplência afeta funcionamento dos condomínios
Além do aumento das taxas, a pesquisa revela outro dado preocupante. Nos condomínios com mensalidades de até R$ 500, a inadimplência chegou perto de 10% no fim do ano passado.
Para o presidente do Sindicon MG, Carlos Eduardo Alves de Queiroz, o impacto vai muito além das finanças.
Segundo ele, quando moradores deixam de pagar, serviços essenciais podem ser comprometidos. "A inadimplência compromete o caixa dos condomínios e pode afetar serviços essenciais como limpeza, segurança e manutenção."
O especialista explica que despesas como manutenção de elevadores, portões eletrônicos e contas de água e energia continuam existindo, independentemente do número de inadimplentes.
"Se falta dinheiro em caixa, o condomínio pode atrasar pagamentos e até interromper contratos de manutenção, colocando em risco a segurança e o funcionamento da edificação", explica.
Custos de manutenção continuam em alta
Carlos Eduardo afirma que os gastos dos condomínios vêm crescendo ano após ano.
Entre os principais fatores estão o aumento das tarifas de energia elétrica, os reajustes nos contratos de prestação de serviços e o envelhecimento das edificações, que exige investimentos cada vez maiores em conservação e reparos.
Segundo ele, basta um único morador deixar de pagar para que o equilíbrio financeiro seja comprometido.
"Em um condomínio, as despesas são rateadas. Se um condômino não paga, a conta não fecha. Os demais moradores acabam sendo prejudicados e o síndico enfrenta dificuldades para manter os serviços funcionando normalmente."
Atenção antes de comprar um imóvel
O presidente do Sindicon MG também faz um alerta para quem pretende adquirir um imóvel em condomínio.
Antes de fechar negócio, é importante verificar a saúde financeira do condomínio, o índice de inadimplência, a existência de dívidas e de processos judiciais.
"Quem compra um imóvel muitas vezes observa apenas o apartamento e esquece de avaliar a situação financeira do condomínio. Isso pode trazer problemas futuros", orienta.
O aumento das despesas aliado à inadimplência tem colocado síndicos diante de um desafio crescente: manter os serviços essenciais funcionando sem sobrecarregar ainda mais os moradores que pagam as contas em dia.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



