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Poupança registra o quarto mês seguido no vermelho

Última vez que a caderneta teve mais depósitos do saques foi em dezembro de 2025

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Poupança perde atratividade para o brasileiro • Freepik

O volume de saques líquidos da caderneta de poupança em abril foi de R$ 476,4 milhões, o menor valor desde agosto de 2024, quando as retiradas somaram R$ 398 milhões. O montante é resultado de R$ 362,200 bilhões em depósitos, e R$ 362,677 bilhões em saques, o quarto mês seguido no vermelho, de acordo com relatório do Banco Central nesta sexta-feira (8).

Apesar do resultado negativo, os saques da caderneta tiveram uma queda substancial. Em março, o relatório mostrava uma retirada líquida de R$ 11,1 bilhões, um aumento de quase 70% nos recursos retirados no mês de fevereiro. Na época, foram depositados cerca de R$ 369,6 bilhões na caderneta, contra saques da ordem de R$ 380,7 bilhões.

No ano, a caderneta registra R$ 1,389 trilhão de depósitos, antes R$ 1,431 trilhões de saques. Como resultado, já foram registrados R$ 41,7 bilhões em retiradas líquidas neste ano. O saldo total remanescente é de R$ 1 trilhão.

Em abril, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) teve saldo positivo de R$ 498,951 milhões em abril. O resultado representa o primeiro mês no azul desde dezembro, enquanto a poupança rural seguiu trajetória oposta. A modalidade registrou saques líquidos de R$ 975,396 milhões no período.

Para Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Banco Inter, os juros elevados tornaram a poupança menos atraente frente a produtos que oferecem rentabilidade superior, risco semelhante e liquidez diária. “Ou seja, o investidor percebeu que não há mais prêmio algum em ficar na poupança”, disse.

Veja investimentos alternativos a poupança

A caderneta é a porta de entrada do mundo dos investimentos, seguindo a máxima de que deixar o dinheiro render é melhor do que deixá-lo parado. “A poupança é tradicionalmente um dos primeiros investimentos que o brasileiro tem à disposição, e quando ele quer sair a gente tem recomendado muito ativos mais seguros”, destacou Winalda.

Certificado de Deposito Bancário

O especialista explica que para começar de forma mais cautelosa a sair da poupança, é recomendável o investimento em Certificados de Depósito Bancário (CDB), que possuem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Os certificados são indexados a uma taxa como o CDI, Selic ou inflação.

“O CDB é uma Selic pós-fixado. Vai ter um rendimento bem melhor do que essa poupança e você vai ter liquidez, vai ter segurança, vai contar com o FGC. Deu esse primeiro passo, criou essa reserva de emergência, quer andar um pouco mais? A gente começa a olhar para o crédito privado”, disse.

CRIs e CRAs

Winalda explica ainda o funcionamento de títulos como Certificado de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRI e CRA), que podem ser fixados a Selic ou a inflação mais uma taxa pré-fixada. pensados para o longo prazo e isentos de Imposto de Renda. Outra diferença para além do imposto, é que os títulos não possuem proteção do FGC, aumentando a recompensa pelo risco.

“No longo prazo é interessante investir visando a inflação. Você vai montar sua carteira com boa parcela em inflação, o famoso IPCA+. No Brasil, o imposto de renda em um ativo que não é isento, ele é cobrado em cima da inflação e da parte pré-fixada. Como o Brasil historicamente tem taxas de inflação mais alta, é possível que lá na frente eu pague um imposto muito alto. Com o isento isso não acontece. É interessante para quem quer sair do CDB”, explicou.

Tesouro direto

Considerado o investimento mais seguro do país, garantido pela União, os títulos de tesouro direto contam com três modalidades, sendo a principal o Tesouro Selic, com rendimento e liquidez diário. “Quem garante esse investimento é o governo federal, e ele é o dono do jogo. Ele vai te pagar com toda certeza”.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.