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Guerra no Irã impulsiona aposta do Brasil em combustível para aviação, diz Alckmin

Vice-presidente afirma que alta do petróleo reforça potencial do Brasil para liderar a produção de SAF, combustível sustentável apontado como alternativa ao querosene de aviação

Por, Brasília
Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
Geraldo Alckmin, vice-presidente da República • Cadu Gomes/VPR

Em meio à alta dos preços do petróleo e do querosene de aviação após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste domingo (7) que o Brasil tem condições de assumir posição de liderança mundial na produção de combustível sustentável para aviação, conhecido pela sigla SAF.

A declaração foi feita durante a abertura da 82ª Assembleia-Geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), realizada no Rio de Janeiro.

Ao citar os principais desafios enfrentados pelo setor aéreo global, Alckmin destacou o alto custo dos combustíveis, os problemas nas cadeias de suprimentos, a necessidade de descarbonização e a escassez de mão de obra qualificada.

"O custo do combustível permanece elevado e volátil", afirmou.

Segundo ele, o Brasil possui vantagens competitivas para se tornar um dos principais fornecedores globais de SAF, produzido a partir de matérias-primas renováveis e considerado uma das principais alternativas para reduzir as emissões de carbono da aviação.

"Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo. Nossa agroindústria, nossa biodiversidade e nossa capacidade de pesquisa colocam o Brasil em posição privilegiada para liderar o desenvolvimento e a produção de combustíveis sustentáveis de aviação", disse.

 

A defesa do SAF ocorre em um momento de forte pressão sobre os custos das companhias aéreas. A guerra no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e do querosene de aviação, levando a IATA a revisar para baixo as perspectivas financeiras do setor para 2026.

Representantes das companhias aéreas e da própria entidade têm alertado que a alta dos combustíveis deve pressionar as tarifas e reduzir as margens de lucro das empresas, mesmo em um cenário de demanda aquecida por viagens.

Diante desse cenário, o governo brasileiro vê no SAF uma oportunidade para combinar a agenda de transição energética com o fortalecimento da indústria nacional. Durante o discurso, Alckmin afirmou que o país pode desempenhar papel único no processo de descarbonização da aviação mundial.

"O Brasil pode ser para a descarbonização da aviação o que nenhum outro país do mundo pode ser: uma potência verde com capacidade industrial para transformar recurso natural em solução global", declarou.

O que é SAF

O combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) é produzido a partir de matérias-primas renováveis, como óleo de cozinha usado, gorduras vegetais e animais, resíduos agrícolas, biomassa e até lixo orgânico. Ele pode ser utilizado nas aeronaves atuais misturado ao querosene convencional e é apontado pelo setor aéreo como uma das principais alternativas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa sem a necessidade de mudanças significativas nos motores ou na infraestrutura dos aeroportos.

Atualmente, o SAF responde por menos de 1% do combustível consumido pela aviação mundial, mas é apontado pela indústria como a principal alternativa para que o setor alcance suas metas de redução de emissões nas próximas décadas. O Brasil é considerado um dos países com maior potencial de produção devido à oferta de matérias-primas e à experiência acumulada com biocombustíveis.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio