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Governo mira fim da dependência do petróleo em decisão por mais etanol na gasolina

Medida proposta pelo Ministério de Minas e Energia tem como objetivo tornar o país autossuficiente em combustíveis; percentual de etanol na gasolina sobe para 32%

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Governo confirmou aumento do etanol na gasolina durante evento de abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol 2026/2027 • Bruno Nogueira | Itatiaia

O governo federal deve aumentar em 32% a mistura do etanol na gasolina já no mês de maio. A medida é considerada estratégica para reduzir a dependência do petróleo e deve ser apreciada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), previsto para a primeira quinzena do mês que vem.

A informação foi confirmada nesta sexta-feira (24) pelo Ministério de Minas e Energia durante a evento de abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol 2026/2027 promovido pela Siamig Bioenergia e pela CMAA em Uberaba, no Triângulo Mineiro.

Para o presidente da Siamig, Mário Campos, a medida é um “passo a mais” diante da crise no setor de combustíveis instaurada pela guerra no Oriente Médio. “A lei diz que o Brasil pode aumentar em até 35% a mistura. Nos somos o único país no mundo com condição de usar exclusivamente etanol em nossos veículos. A tendência para o futuro é aumentar o conteúdo de biocombustíveis na nossa matriz”, disse.

Segundo o governo federal, a medida pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros mensais a necessidade de importação de gasolina, volume suficiente para zerar a dependência externa da importação de combustível. A iniciativa deverá ter vigência inicial de 180 dias, prorrogáveis por igual período, de acordo com deliberação do CNPE.

De acordo com projeções da Siamig, a safra mineira de cana-de-açúcar para o período de 2026/2027 deve ultrapassar as 83 milhões de toneladas, um crescimento de 11,6% em relação à última colheita (74,7 milhões de toneladas).

Nesse contexto, a produção de açúcar deve atingir 6,1 milhões de toneladas (+13,2%), enquanto o etanol total alcança 3,04 milhões de metros cúbicos (+13,0%), com crescimento equilibrado entre etanol anidro e hidratado.

Já em um cenário alternativo, condicionado ao avanço de medidas que ampliem a competitividade do etanol hidratado em Minas Gerais, projeta-se mudança relevante no mix produtivo, com redução da participação do açúcar para cerca de 51% e maior direcionamento da cana para o etanol.

“Estamos recuperando a cana perdida no ano anterior. Estamos com boas perspectivas de ser até um pouco mais, porque os resultados que estamos apurando são melhores. E temos a questão do mix, que nos últimos anos foi mais açucareiro, mas estamos conversando com o governo do estado a possibilidade de aumentar em até 40% a produção de etanol hidratado em Minas Gerais”, destacou Campos.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.