Compra de 10 itens básicos de supermercado sobe de R$ 152 para R$ 156 em um mês
Todo fim de mês, a Itatiaia vai aos supermercados para medir o poder de compra do brasileiro

A Itatiaia voltou ao supermercado para mostrar a variação dos preços de itens da cesta básica indispensáveis para o consumidor, em setembro. A reportagem mostrou que, em agosto, uma compra de itens essenciais poderia custar até R$ 152, mas na passagem do mês esse valor cresceu 1,3% para R$ 156,04.
Uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base no custo médio da cesta básica e dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o tempo médio de trabalho para adquirir os produtos da cesta foi de 102 horas e 11 minutos.
Quando se compara ao custo da cesta e o salário mínimo líquido (R$ 1.621,00), a cesta básica compromete em média 50,21% do rendimento dos trabalhadores. Para acompanhar de perto essa realidade, a reportagem foi às compras novamente e selecionou 10 itens básicos de qualquer residência.
Veja a lista e a comparação com agosto
- Um pacote de arroz de 5 kg tipo 1 - R$ 3,00 mais caro
- Um pacote de feijão carioca de 1 kg - R$ 0,80 mais caro
- 1/2 quilo de café tradicional - R$ 1,00 mais caro
- Um litro de óleo de soja - R$ 0,56 mais caro
- Um quilo de peito de frango - R$ 0,08 mais caro
- Um quilo de acém - R$ 1,92 mais barato
- Um litro de leite integral - R$ 0,50 mais barato
- Um pacote de açúcar de 5 kg - R$ 1,40 mais caro
- Um pacote de papel higiênico com oito rolos - inalterado
- E um detergente líquido - inalterado
Peso no bolso
Para a pedagoga aposentada Patrícia Nobre, de 67 anos, o preço das carnes, legumes e frutas continuam pesando no bolso. “A gente não percebe uma baixa. Agora tá na época das folhas, com um preço bom, mas o resto tá realmente puxado”, disse.
Segundo a percepção da aposentada, os produtos básicos estão se mantendo estáveis. “A gente vê um impacto em produtos sazonais mesmo, frutas e verduras. Agora, o básico, eu tenho percebido que tem se mantido bem”, emendou.
Já Manuel Fernandes de Souza, aposentado de 76 anos, o preço da carne e do feijão ainda assusta, sendo perceptível um aumento na passagem dos meses. “A inflação está alta, mas eu como aposentado ganho aumento de 4%. As autoridades precisam ver o lado do povão, se não fica dificil”, destacou.
Para Jussara Ribeiro Alves, educadora social de 66 anos, arroz, óleo e carne estão “caríssimos”. “Pra mim subiu muito, porque eu sou pensionista e o salário não acompanha a inflação”, declarou.
Combustíveis
A reportagem também voltou aos postos de combustíveis para entender a mudança nos preços, enquanto o motorista se divide entre o etanol e a gasolina. No fim de agosto até a primeira semana de setembro, o biocombustíveis foi o preferido e chegou a custar R$ 3,79 o litro, mas o preço comum foi de R$ 3,99, chegando a custar no fim de setembro entre R$ 4,19 a R$ 4,59.
Já o valor médio da gasolina entre o mês de agosto e o de setembro ficou entre R$ 6,35 e R$ 6,55 nos postos. Quem usa o etanol sentiu o preço no bolso. Para Hernani Alves Moreira, taxista, abastecer o carro no último mês ficou mais pesado.
“No mês passado tava pagando R$ 150 no tanque todo, porque eu uso álcool, que estava R$ 3,80 ou R$ 3,70. Agora, para encher o meu tanque foi R$ 180. Era bom, mas agora não, agora tá mais caro”, disse.
Giovani Magela, motorista de aplicativo, conta que também gasta até R$ 180 para encher o tanque com etanol. Segundo ele, o biocombustível, apesar de caro, segue mais econômico para o seu carro. “A gasolina não compensa não”, afirma.
Walter Marcato, aposentado, conta que vendeu o carro porque agora anda mais de transporte coletivo. Ele destaca que, quando usava o automóvel, pagava mais de R$ 170 para abastecer, o que contribuiu para “abandonar” o veículo. “Isso tudo pesa se você colocar no papel”, declarou.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.


