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Bares e restaurantes faturam mais, mas lucro encolhe com custos e juros altos, diz Abrasel

Setor acumula 11 meses de alta nas vendas, mas apenas 42% dos estabelecimentos tiveram lucro em julho, segundo a Abrasel

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Aumento do faturamento ainda não se traduz em lucro para uma parcela significativa dos estabelecimentos.
Aumento do faturamento ainda não se traduz em lucro para uma parcela significativa dos estabelecimentos. • Imagem ilustrativa/Canvas

O setor de bares e restaurantes deve movimentar R$ 540 bilhões em 2026, segundo projeção da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). O valor representa crescimento de aproximadamente 9% em relação aos R$ 495 bilhões registrados em 2025. Em 2024, o faturamento havia sido de R$ 455 bilhões.

Apesar do avanço nas vendas, o aumento do faturamento ainda não se traduz em lucro para uma parcela significativa dos estabelecimentos. Dados da Abrasel mostram que 42% dos bares e restaurantes operaram com lucro em julho, enquanto 20% fecharam o mês no prejuízo. Em dezembro de 2025, 47% das empresas declaravam ter registrado lucro.

O cenário ocorre mesmo com uma sequência de resultados positivos nas vendas. Em agosto, o setor registrou alta de 7,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, no décimo primeiro mês consecutivo de crescimento anual.

Consumidor limita repasse de custos

Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, um dos principais desafios dos empresários é repassar para os preços o aumento dos custos sem comprometer o consumo.

Segundo ele, a renda disponível das famílias limita a capacidade dos estabelecimentos de reajustar os preços na mesma proporção dos custos. “O consumidor está com renda disponível muito baixa, aliás, a renda disponível mais baixa dos últimos 15 anos. Apenas 21% sobram depois de pagar as contas básicas, e isso dificulta, limita muito a capacidade do setor de corrigir os seus preços baseados em seus custos.”

Além dos preços de alimentos e da energia, os juros elevados aparecem entre os principais fatores de pressão sobre o caixa das empresas. O custo do crédito afeta tanto a formação de estoques quanto a realização de investimentos. “Os juros hoje estão muito altos, mais altos em termos reais de muitas décadas. E isso faz com que manter estoques fique caro, que financiar investimentos fique caro”, afirma Solmucci.

Setor emprega cerca de 5 milhões

Bares e restaurantes reúnem mais de 1,5 milhão de estabelecimentos no país e empregam aproximadamente 5 milhões de pessoas.

A Abrasel avalia, no entanto, que parte do desempenho de 2026 está relacionada a estímulos temporários ao consumo. Entre os fatores citados pela entidade estão a Copa do Mundo, a antecipação do saque-aniversário do FGTS, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e outras medidas de crédito e transferência de renda.

Para Solmucci, o cenário exige atenção dos empresários, principalmente diante das perspectivas para 2027. “O desafio é grande e o caixa vai ser rei. É importante demais estar atento para esses desafios, acompanhar de perto os custos e o caixa para que o ano possa transcorrer com sucesso.”

Faturamento maior não significa lucro

A combinação de vendas em alta e custos elevados mostra um dos principais desafios enfrentados pelo setor: faturar mais sem perder margem de lucro.
Para os empresários, o controle de despesas, do estoque e do fluxo de caixa ganha importância em um cenário no qual o consumidor tem menos renda disponível e os custos financeiros continuam elevados.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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