Axia Energia investe R$ 2 milhões em campanha de segurança em linhas de transmissão
Ex-Eletrobras, companhia registrou cerca de 216 interrupções no fornecimento de energia por fatores externos

A Axia Energia, antiga Eletrobras, registrou cerca de 216 interrupções no fornecimento de energia em linhas de transmissão por acidentes e vandalismos em 2025. Neste ano, a companhia vai investir R$ 2 milhões ao longo do primeiro semestre em iniciativas de conscientização sobre os perigos e prejuízos que atividades realizadas próximas às estruturas de alta voltagem podem causar.
Entre os principais fatores que levam ao desligamento das torres estão queimadas, quedas de balões e pipas. Para mitigar o problema, a empresa vai realizar inserções em meios de comunicação para orientar a população. As ações fazem parte de um compromisso firmado junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que começa em abril e vai até junho.
Em entrevista à Itatiaia, o gerente executivo de gestão de manutenção da transmissão da Axia, Ricardo Abdo, explicou que o foco principal da campanha é a segurança da população. “Aquelas linhas de transmissão estão transmitindo grandes blocos de energia. É muito importante que as pessoas respeitem as distâncias de segurança, não soltem pipas, não soltem balão e não façam queimadas, que já são um crime”, disse.
O executivo destaca que tais atividades podem causar prejuízos sérios nos sistema e, apesar de não haver registros de interrupção nos serviços no ano passado, podem interferir no fornecimento de energia elétrica para hospitais, indústrias e até mesmo nas residências.
Queimadas
Nos últimos anos, a principal causa dos acidentes e desligamentos em linhas de transmissão foram relacionados a queimadas, tanto em torres localizadas em áreas urbanas quanto rurais. Neste ano, somente no primeiro trimestre foram contabilizados 30 desligamentos relacionados a incêndios nas regiões com equipamentos de geração e transmissão de energia.
Segundo Abdo, muitos incêndios ocorrem quando a população ateia fogo para abrir área de pasto ou por restos de cigarro em épocas de estiagem. “Aquela fumaça é composta por fuligem e materiais condutivos, que quando abrangem os cabos acabam facilitando o curto circuito. A partir de junho a gente vai entrar em uma época de estiagem, justamente a época mais crítica para nós, com maior número de ocorrências”, explicou o executivo.
Para evitar os riscos de incêndios, a companhia realiza a limpeza e supressão da vegetação propícia a queimadas próximas às torres. Porém, ainda sim é preciso contar com a colaboração da população. “É importantíssimo que todo mundo esteja ciente para se precaver dos riscos e também para que a gente possa prestar um serviço de altíssima qualidade”, acrescentou.
Projeto piloto de proteção
Além da campanha de segurança, a Axia está prestes a concluir um projeto piloto no Brasil: a instalação de uma rede de proteção no topo da Subestação Guarulhos, um dos principais equipamentos responsáveis pelo abastecimento de energia da Região Metropolitana de São Paulo.
Com um investimento de R$ 10 milhões, o objetivo da a estrutura é reduzir significativamente o risco de interrupções causadas por fatores externos, principalmente em relação às pipas e balões. Ainda de acordo com Ricardo Abdo, dependendo do resultado dos testes a serem realizados na subestação, o projeto pode ser expandido para outras regiões.
“A gente teve uma ocorrência de grande vulto quando uma pipa com linha de cerol caiu na linha e provocou uma série de desligamentos na subestação. A gente instalou uma cobertura de tela para evitar que balões ou pipas voltem a cair sobre a instalação. A gente vai avaliar os resultados até para poder estender essa solução para outras subestações estratégicas”, completou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



