Kleiton e Kledir se declaram a Minas Gerais e revelam se torcem para Atlético ou Cruzeiro
Após quase 10 anos liderando a banda Almôndegas, os irmãos Kleiton e Kledir Ramil formaram a dupla de sucesso que começou a ganhar o Brasil em 1979 com a canção Maria Fumaça

“Tem muita gente que pensa que nós somos um caso. Na verdade, nós somos irmãos”. É dessa forma bem-humorada que Kleiton, da dupla Kleiton & Kledir, fala sobre a parceria com o irmão. Os gaúchos se apresentam nesta sexta-feira (26) em Belo Horizonte ao lado do irmão, Vitor Ramil. Em entrevista exclusiva à Itatiaia, os artistas se declararam à cultura mineira, revelaram sua torcida entre Atlético e Cruzeiro e até comentaram sua visão sobre a música sertaneja.
Após quase 10 anos liderando a banda Almôndegas, os irmãos Kleiton e Kledir Ramil formaram a dupla de sucesso que começou a ganhar o Brasil em 1979 com a canção Maria Fumaça, apresentada em um festival de música popular da TV Tupi. Em 1980 veio o primeiro álbum e, nos anos seguintes, sucessos como “Deu Pra Ti”, “Paixão”, “Nem Pensar”, “Vira Virou” e “Fonte da Saudade”.
Relação com Minas Gerais
Minas Gerais foi o estado onde a dupla mais fez shows durante a década de 1980, quando os dois irmãos viveram o auge da carreira. Essa preferência do público mineiro pode ter relação com as origens musicais dos artistas que, apesar de gaúchos, confessaram ter buscado no Clube da Esquina a inspiração para criarem uma sonoridade própria.
“Nós temos uma identificação muito grande com Minas Gerais. A partir do Clube da Esquina, por exemplo. Aquilo para nós foi uma revelação, porque a gente se identificava com aquele tipo de música muito mais do que com o samba carioca e do que o forró nordestino. Então daí vem um elo de ligação muito grande, muito forte e várias colaborações que a gente já fez com artistas de Minas”, afirma Kledir.
“Kledir e eu queríamos fazer uma música que fosse mais moderna e representativa do Sul. A gente via isso muito como referência no Clube da Esquina, que era uma música sofisticada, com divisões ternárias. A gente foi encontrando um caminho de personalizar o que nós fazíamos, o que hoje chamo de ‘estilo Kleiton e Kledir de cantar e de composição’. E nesse sentido nós somos muito gratos ao pessoal do Clube da Esquina e outros mineiros que a gente conheceu [...]. Então, a nossa relação com os mineiros vem de longa data. Isso sem falar das namoradas, das mulheres lindas que nós conhecemos em Minas. Nós passamos em Minas antes mesmo de gravar o primeiro disco da dupla. Nós cantamos no Teatro Marília, em BH, e ali nós fizemos amizades que duraram a vida toda. São amigos que nós temos até hoje, pessoas muito legais.”
Música sertaneja
O fato de que uma das duplas mais famosas do Brasil não canta o gênero sertanejo é, no mínimo, curioso. Ao ser questionado sobre isso, Kledir brinca e diz que eles “não são sertanejos porque começaram antes mesmo do sertanejo”. Já Kleiton revelou sua admiração pelo gênero, mas não deixou de fazer um comentário sobre o cenário musical atual.
“A gente tem respeito pela cultura sertaneja, sobretudo pela sua origem, né? Acho que a música sertaneja hoje ficou muito chata. Mas, na sua origem, tem coisas geniais, como aquele “Drama de Angélica”, de Alvarenga & Ranchinho, que é uma obra prima. O Chitãozinho e Xororó nos assistiram uma vez em São Paulo quando estavam começando, e disse: "Ah, nós queríamos ser igual a vocês" [...]. A dupla é uma dupla desde que o Kledir nasceu. Mas a gente nunca pensou nesse formato, foi algo que foi acontecendo na nossa vida e gostamos de fazer. Como diz uma uma criancinha que definiu muito bem a dupla, ela falou para mim: ‘Vocês são um que é dois e dois que é um, né?’. Nós separados não somos tão bons quanto juntos. Então é a vida, é o destino que a vida nos preparou.”
Atlético ou Cruzeiro?
Kleiton e Kledir são irmãos, parceiros na música, mas rivais quando o assunto é esporte. Kleiton é torcedor do Grêmio, enquanto Kledir é apaixonado pelo Internacional. No Rio de Janeiro, o primeiro torce pelo Fluminense, enquanto o segundo torce para o Flamengo. E em Minas Gerais?
Em terras mineiras, a rivalidade continua. Kleiton declarou sua torcida ao Atlético, enquanto Kledir afirmou que apoia o Cruzeiro. O apoio de Kleiton ao Galo já é antigo. Em uma reportagem de outubro de 1999, o cantor foi flagrado no Maracanã vestindo a camisa alvinegra ao lado do irmão, trajado com a blusa do Corinthians. Naquele dia, mineiros e paulistas se enfrentaram no Rio de Janeiro, já que o Corinthians havia sido punido com a perda de mando de campo.
Serviço
Kleiton, Kledir e Vitor Ramil
Sexta-feira (26), às 20h30, no BeFly Minascentro (Av. Augusto de Lima, 785, Centro, Belo Horizonte/MG)
A partir de R$ 70 no Sympla ou na Bilheteria do antigo Chevrolet Hall
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.



