‘Generosidade e criatividade’: familiares, amigos e fãs se despedem de Teuda Bara, do Grupo Galpão
Referência no teatro, uma das fundadoras do Grupo Galpão, Teuda Bara é velada nesta sexta-feira (26), no Palácio das Artes, Belo Horizonte

Amigos, fãs e colegas de profissão se despedem da atriz Teuda Bara, uma das fundadoras do Grupo Galpão, na manhã desta sexta-feira (26), no Palácio das Artes, no Centro de Belo Horizonte. Ela morreu nessa quinta-feira (25) e estava internada desde o dia 14 de dezembro no Hospital Madre Teresa, na capital.
A cerimônia de despedida segue até as 15h, e o sepultamento está marcado para as 17h, no Cemitério da Colina.
Em depoimento emocionado, um familiar destacou a força, a generosidade e a criatividade de Teuda Bara.
“Tinha uma força e uma criatividade impressionantes, não parava quieta, estava sempre envolvida em um projeto novo. Como mãe, era extremamente generosa. Eu costumo dizer que tenho muitos irmãos, de tanta gente que ela acolheu e ajudou. Sempre com bom humor, sempre alegre”, afirmou o filho, Admar Fernandes.
O familiar contou ainda que os dois haviam retomado o espetáculo “Nós”, montado há dez anos, e que estava sendo reapresentado em comemoração à data.
“Foi a primeira peça que fizemos juntos, atuando. Estreou há dez anos e, neste ano, estávamos celebrando isso com algumas apresentações. Fizemos no dia 13 e, no dia 14, ela acordou se sentindo mal e decidiu ir ao hospital por precaução. Acabamos cancelando”, relatou.
O ator Chico Pelúcio, do Grupo Galpão, também lamentou a morte da artista e falou sobre o impacto da perda para o coletivo.

“A ausência da Teuda representa um vazio muito grande. Ela sempre foi intensa, muito presente e muito forte em tudo o que fazia. A perda vai exigir da gente equilíbrio para reorganizar esse cotidiano”, disse.
Em uma metáfora para expressar o sentimento do grupo, Chico comparou:
''É como se todos estivéssemos em um barco e a Teuda, que tinha 120 quilos, de repente pulasse para fora: o barco ficaria completamente desequilibrado, e nós precisamos nos reorganizar emocionalmente para seguir com a vida'', disse.
Para Lydia Del Picchia, também atriz do Grupo Galpão, ainda é difícil mensurar a falta que Teuda Bara fará. Segundo ela, a colega tinha uma presença marcante e uma energia incomum.
“É uma pessoa de uma presença muito forte, muito intensa. Tinha uma vibração, uma alegria de viver, um amor enorme pelo teatro, pela profissão. Estar no palco, estar com os colegas fazendo teatro, era a vida dela. Ela sempre dizia: ‘a hora que eu não puder mais estar no palco, eu não quero mais estar aqui, porque o teatro me deu tudo’. E ela nos deu o prazer dessa companhia por tantos anos”, afirmou.
Lydia conta ainda que, mesmo aos 84 anos, Teuda seguia ativa e resistente às pausas.
Início da trajetória
Teuda Magalhães Fernandes nasceu em 1º de janeiro, na capital mineira. Filha de um militar do Corpo de Bombeiros, que também era trombonista, e de uma enfermeira cantora e parodista, Teuda nunca frequentou formalmente um curso de teatro.
Ela estudou Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e participou de atividades de teatro-jornal no Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Teuda abandonou o curso superior para trabalhar com o diretor Eid Ribeiro, antes de se mudar para São Paulo.
De volta a Belo Horizonte, entrou para uma oficina de teatro dirigida por dois integrantes do Teatro Livre de Munique, George Froscher e Kurt Bildstein, que se tornaria o embrião do Grupo Galpão.
No teatro, participou de dezenas de montagens, incluindo Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, e o espetáculo solo Luta, apresentado em 2024.
Ainda neste mês, Teuda se apresentaria com a peça Doida, no teatro de bolso do Sesc Palladium, também em Belo Horizonte. No entanto, no dia da segunda apresentação, em 14 de dezembro, ela precisou ser internada.
Sucessos na TV e no Cinema
Na televisão, a atriz participou de séries de humor, com aparições em Toma Lá, Dá Cá (2008) e Filhos da Pátria (2017), além de integrar o elenco da novela Meu Pedacinho de Chão (2014).
No cinema, Teuda atuou em longas-metragens como O Menino Maluquinho (1995), Vinho de Rosas (2005) e O Palhaço (2011).
Teuda deixa dois filhos, André e Admar, e um legado de décadas dedicadas à arte, especialmente ao teatro.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.
Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.



