De tigres a cartas de tarô: festival leva novas cores às ruas de Belo Horizonte
Segunda edição do FARRA reuniu sete artistas mulheres em pinturas no bairro Carlos Prates; iniciativa é apresentada pela Pool Jeans, marca da Riachuelo

Belo Horizonte já se acostumou a olhar para cima para apreciar as pinturas gigantes que tomam conta das empenas dos prédios. Na avenida Afonso Pena, no Centro, e na rua Sapucaí, point de quem gosta de boa comida, bons drinks e diversão, a arte urbana faz parte da paisagem e virou atração para moradores e turistas.
Mas, desta vez, a arte desceu dos prédios e ocupou as ruas da capital mineira. A praça Zigue-Zague, no bairro Carlos Prates, na região Noroeste de BH, ganhou novas cores com pinturas que vão de homenagens à sabedoria das avós a referências às cartas de tarô, além de tigres e outras imagens cheias de personalidade.
As intervenções fazem parte da segunda edição do FARRA (Festival de Arte e Rua), apresentado pela Pool Jeans, marca da Riachuelo. A iniciativa do Instituto CURA reuniu sete artistas mulheres em cinco dias de pintura e convivência com a comunidade.
Entre elas, três vieram de outras cidades: Rafa Mon, do Rio de Janeiro; Thaynha, de João Pessoa; e Laís da Lama, de São Paulo. O time também contou com quatro artistas de Belo Horizonte: D.Ninja, Mag Magrela, Priscila Amoni e Mariana Marinato.
Os sete murais já estão finalizados e podem ser visitados a qualquer hora, na rua Patrocínio e na praça Zigue-Zague, na esquina com a rua Peçanha. Do alto da praça, o visitante ainda encontra uma vista do Centro de Belo Horizonte e da Serra do Curral.
Arte para além dos muros
O FARRA é um projeto itinerante do Instituto CURA, responsável também pelo Festival de Arte Urbana de Belo Horizonte, conhecido pelas grandes pinturas nas empenas da cidade. A primeira edição do FARRA foi realizada em maio, na comunidade Cabana do Pai Tomás. A cada edição, o festival muda de bairro, e o próximo destino ainda não foi definido.
A proposta é levar a arte para mais perto das pessoas, ocupando espaços de convivência e criando oportunidades de troca entre artistas e moradores.
Em entrevista à Itatiaia, a artista visual, curadora e diretora artística Priscila Amoni explicou que o festival nasceu justamente dessa vontade de estar mais próximo dos territórios e de quem vive neles.
“O CURA é esse projetão, que é prédio, que é grandioso, e a gente queria chegar no território, viver esse território mais pertinho, por alguns dias”, contou.
Segundo Priscila, o nome FARRA reforça a ideia de unir arte e rua, valorizando não apenas as pinturas, mas também a experiência de ocupar os espaços públicos e conviver com a comunidade.
“É festival de arte e festival de rua, não é festival de arte de rua. É para viver essa rua, essa essência mesmo de estar nesse território, saber o que ele é. Viver com essas pessoas que estão aqui, passar um tempo aqui”, explicou.
A curadora destaca que o projeto se adapta às características de cada lugar, podendo acontecer em comunidades, quilombos ou regiões centrais das cidades. Durante os cinco dias de festival, os artistas trabalham juntas e compartilham a experiência com os moradores.
Nesta edição, a seleção de sete artistas mulheres e sete muros foi construída em parceria com a Vargem, que participa da realização do projeto no território.
“Eu acho que tem muito a ver também com o encontro das pessoas, o afeto. Faz com que os artistas compartilhem cinco dias de pintura com os moradores do território”, afirmou Priscila.
A proposta, resume a artista, é que a transformação vá além das paredes. “A gente fala que o CURA transforma a cidade, que o FARRA transforma o território.”
Em 2027, o Instituto CURA celebra os dez anos do festival que transformou as empenas do Centro de Belo Horizonte em grandes telas a céu aberto. Criado em 2017, o CURA se tornou uma das iniciativas de arte urbana mais conhecidas da capital mineira.
Confira a galeria com imagens das pinturas
Como chegar
Serviço
FARRA Zigue-Zague | Festival de Arte e Rua
- Local: rua Patrocínio e praça Zigue-Zague, na esquina com a rua Peçanha, no bairro Carlos Prates, em Belo Horizonte, perto da Pizzaria Forno da Saudade
- Visitação: os sete murais podem ser vistos a qualquer hora.
Marcello Pereira é jornalista formado pelo UniBH e Editor de Redes Sociais na Itatiaia. Atua com estratégia digital, gestão de conteúdo para plataformas como Instagram e TikTok, coordenação de equipes e análise de métricas. Também possui experiência em assessoria de imprensa e comunicação institucional, com interesse em inovação, tecnologia e análise de dados.























