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Artista plástica Clarice Fonseca idealiza projeto que acolhe mulheres em tratamento oncológico

Projeto 'Aconchego' promove oficinas com materiais de quimioterapia, rodas de conversa e capacitação profissional ao longo de 2026

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Clarice Fonseca, artista plástica • Divulgação | Roberto Mendonça

O impacto do diagnóstico do câncer impõe uma rotina dolorosa, e, para mulheres em situação de vulnerabilidade social, pode ser ainda mais severo, frequentemente marcado pela solidão e pela ausência de uma rede de apoio estruturada. É com o propósito de transformar essa realidade através do acolhimento e da expressão artística que nasce o projeto "Aconchego". Idealizada pela artista plástica e gestora cultural Clarice Fonseca, a iniciativa promove, ao longo de 2026, uma série de ações gratuitas envolvendo educação em oncologia, arte e meio ambiente em Belo Horizonte.

A programação tem início no sábado (20), às 10h, na Livraria Ramalhete, no bairro Savassi. O evento de lançamento contará com a palestra “O medo no contexto da oncologia”, ministrada por Clarice em parceria com a bióloga Cláudia Gersen, mestre em Ciências da Saúde pela Fiocruz e pesquisadora do Centro de Pesquisas René Rachou. O encontro busca desmistificar os sentimentos que acompanham o tratamento e abrir espaço para o diálogo aberto e humanizado.

A ressignificação da dor através da matéria

Diagnosticada com câncer em 2025, Clarice Fonseca enfrentou seis meses de quimioterapia na rede pública de saúde (SUS) da capital mineira. Foi no isolamento do tratamento que ela reencontrou na arte a sua força de recuperação. "Nos dias em que eu estava mais debilitada, a TV não me interessava, não suportava música, não tinha concentração para ler. Mas quando os efeitos colaterais melhoravam, eu ia para o ateliê. Essa pequena movimentação era importante para a minha recuperação", relembra a artista.

Durante o período mais agudo do tratamento, Clarice adaptou seu processo criativo. Substituiu materiais tradicionais que continham componentes tóxicos, como certas colas e solventes, por pigmentos naturais extraídos da vegetação do Cerrado, utilizando urucum, cúrcuma, cascas de árvore e folhas secas. Mais do que isso, passou a coletar o próprio refugo de sua rotina clínica: bulas, caixas de medicamentos e gazes de curativos transformaram-se em suporte para gravuras, desenhos e colagens.

“A arte me dava tanta força para seguir que tive vontade de dividir essa experiência curativa com outras mulheres e seus familiares. O que mais falta nessa hora é companhia, afeto. O SUS hoje dá todo o suporte, mas faltam ainda iniciativas que proporcionam esse tipo de acolhimento”, afirma Clarice.

A proposta do projeto é itinerante e multifacetada. A cada mês, o "Aconchego" ocupará um espaço diferente de Belo Horizonte, levando feiras de artesanato, palestras temáticas com profissionais da saúde e oficinas artísticas voltadas a mulheres que estão em tratamento oncológico ou que já o concluíram. Além do suporte emocional, as oficinas visam à capacitação profissional e à reinserção dessas mulheres no mercado de trabalho.

Clarice ressalta que o encerramento dos ciclos médicos não encerra os desafios da paciente. "O pós-câncer não é fácil e a sociedade precisa entender as particularidades de uma mulher que finalizou o tratamento, mas não conseguiu voltar às suas atividades habituais. Para elas, a vida não pode mais ser como era antes", pontua.

Rede de parcerias e sustentabilidade

O projeto ganha vida por meio de uma cadeia de apoio local. A Casa Umbigo atuará na arrecadação de embalagens longa vida que serão utilizadas nas oficinas de arte e jardinagem. Já o espaço Asa de Papel Café & Arte, no bairro Santa Efigênia, sediará mensalmente a feira "Aconchego", onde serão expostas e comercializadas obras de arte, artesanato e plantas ornamentais, incluindo a distribuição de 150 mudas gratuitas para a comunidade no primeiro evento do espaço, dia 27 de junho. As rodas de conversa contarão com o suporte das livrarias Ramalhete e Literíssima, e o projeto também firmou parceria com a Casa de Apoio Aura para o desenvolvimento de ações culturais internas.

Serviço e programação:

  • Lançamento do Projeto Aconchego & Roda de Conversa

    • Tema: “O medo no contexto da oncologia”, com Cláudia Gersen e Clarice Fonseca.

    • Quando: 20 de junho, sábado, às 10h.

    • Onde: Livraria Ramalhete | Rua Pernambuco, 1.000, Savassi

    • Entrada: gratuita

  • Feira Aconchego

    • Atividades: exposição de obras de arte, artesanato, plantas ornamentais e distribuição de 150 mudas (por ordem de chegada).

    • Quando: 27 de junho, sábado, das 10h às 14h.

    • Onde: Asa de Papel Café & Arte | Rua Piauí, 631, Santa Efigênia

    • Entrada: gratuita

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Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.