Futebol melancólico e coletiva desastrosa no Cruzeiro
Técnico interino do Cruzeiro mostrou um descolamento da realidade ao analisar novo tropeço do time no Brasileirão

O técnico interino Wesley Carvalho tem pouquíssima responsabilidade pelo péssimo momento do Cruzeiro. Sob o comando dele, a equipe perdeu para o Athletico-PR fora de casa e empatou com o Santos, no Mineirão. Eu não esperava milagre de um time que amarga a lanterna do Campeonato Brasileiro. São quatro pontos em 24 disputados, o pior início do clube na história da competição.
Mas a coletiva desastrosa de Wesley, após o empate com o Santos, também coloca os holofotes sobre ele. Questionado sobre o desempenho do time, ele devolveu com outra pergunta: “Você acha que a gente jogou tão mal assim?” Em outro momento, o profissional atribuiu à imprensa e ao torcedor a expectativa de que o Cruzeiro brigaria na parte de cima da tabela.
“Criou-se uma expectativa por parte da imprensa e também da torcida, e, quando isso acontece, mas começamos mal, vira um pandemônio. Isso tem influenciado os atletas, porque se criou a responsabilidade de estar entre os primeiros, e não estamos lá”, disse o treinador.
As falas do interino mostram um descolamento da realidade. Gabriel Brazão fez defesas importantes, mas o time celeste esteve muito longe de ter feito um bom jogo contra o Santos. Se não fosse por um impedimento milimétrico, seria mais uma derrota no campeonato. O Cruzeiro tem aliado resultado e desempenho: ambos têm sido péssimos.
Sobre a expectativa de brigar na parte de cima, ela foi criada pelo próprio clube quando, na temporada passada, o mesmo elenco alcançou a terceira colocação. Há cerca de um mês, o executivo de futebol Bruno Spindel afirmou que o Cruzeiro tem um dos elencos mais fortes do continente. É natural que a expectativa do torcedor seja alta, até mesmo pela grandeza da instituição. Jogador que não consegue lidar com essa pressão não está preparado para vestir a camisa do Cruzeiro.
Wesley Carvalho, assim como todo interino, teve a dura missão de apagar o incêndio, mas, ao invés de água, jogou gasolina com uma entrevista infeliz.
Mineiro de Oliveira e graduado em Jornalismo na PUC-MG. Profissional apaixonado por futebol e outros esportes com passagens por Estado de Minas, Superesportes, Rádio Transamérica e O Tempo. Atua como comentarista e repórter da Itatiaia.
