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Sem Hulk, Galo encontra time ideal com “operários” e reconquista o torcedor

O Atlético, enfim, começa a parecer um time. Um futebol mais coletivo, mais solidário, com jogadores comprometidos com e sem a bola.

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Coluna da Nath Fiuza
Coluna da Nath Fiuza • Itatiaia

Duas vitórias consecutivas, contra Mirassol e Cienciano, cinco gols marcados e apenas um sofrido. Mais do que os números positivos e os resultados favoráveis, os dois últimos jogos do Atlético mostraram algo que o torcedor vinha cobrando há tempos: evolução coletiva e identidade de jogo.

Ainda que os adversários não sejam exatamente parâmetro para medir o tamanho das ambições do Galo na temporada, é impossível ignorar os sinais de crescimento. O time está mais organizado, produz mais ofensivamente e, a cada partida, parece recuperar a confiança do torcedor.

Eduardo Domínguez repetiu a base da equipe nos últimos dois compromissos. Na defesa, o esquema com três zagueiros trouxe mais equilíbrio, com Natanael, Ruan e Junior Alonso. À frente deles, uma segunda linha formada por dois volantes e dois alas. Contra o Mirassol, Maycon e Alan Franco ocuparam o meio, com Lodi pela esquerda e Cuello pela direita. Já diante do Cienciano, Alexander entrou na vaga de Franco.

A configuração tem potencializado principalmente os alas. Lodi e Cuello ganharam liberdade para atacar os corredores, e isso tem sido determinante ofensivamente. Contra o Cienciano, por exemplo, os dois gols nasceram justamente de cruzamentos pela direita, com participação decisiva de Cuello.

Bernard talvez seja hoje o grande símbolo dessa mudança de postura. Tem sido o principal articulador da equipe, combinando movimentação, intensidade e passes decisivos. No ataque, Minda e Cassierra também ajudam a explicar o crescimento coletivo. O equatoriano oferece velocidade e profundidade, enquanto Cassierra vai além da finalização: participa do jogo, faz pivô, distribui passes.

O Atlético, enfim, começa a parecer um time. Um futebol mais coletivo, mais solidário, com jogadores comprometidos com e sem a bola. E, apropriando-me da definição de um torcedor durante o “Seu Nome, Seu Bairro”: um verdadeiro “time de operários”.

Curiosamente, a saída de Hulk para o Fluminense acabou produzindo um efeito importante no ambiente. Eduardo Domínguez deixou de carregar a obrigação de escalar alguém apenas pelo peso do nome.

A partir disso, passou a privilegiar desempenho, entrega e comprometimento. O treinador argentino distribuiu oportunidades e dividiu responsabilidades. Aos poucos, o elenco tem respondido — e, com essas respostas, o time vai ganhando forma.

Claro que ainda existem problemas, sobretudo defensivos. O Atlético segue oscilando na recuperação da posse e continua vulnerável na bola aérea. Mas também é justo reconhecer os avanços. Depois de 49 dias e 13 partidas consecutivas, o Galo finalmente voltou a terminar um jogo sem sofrer gols.

Se mantiver o espírito competitivo demonstrado nas últimas partidas, o caminho natural é que a evolução tática aconteça de maneira gradual. E, com os resultados aparecendo e a classificação na Copa Sul-Americana bem encaminhada, Eduardo Domínguez vai conquistando aquilo que todo treinador precisa para consolidar um trabalho: tempo.

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Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.

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