Nath Fiuza | Cruzeiro avança na Copa do Brasil, mas jogo expõe limites para sonhar alto
Cruzeiro venceu o Goiás por 1 a 0 na noite dessa terça-feira (12) no Mineirão e avançou às oitavas de final

No mata-mata a regra é clara: mais vale a classificação do que uma goleada. Esse foi o pensamento do torcedor do Cruzeiro ontem à noite, no Mineirão, após o time vencer o Goiás por 1 a 0 e garantir vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil.
O alívio, porém, veio acompanhado de sinais de alerta que o Cruzeiro não pode ignorar se realmente quiser transformar 2026 em um ano de conquistas.
É bem verdade que o time celeste, principalmente no primeiro tempo, produziu o suficiente para construir uma vitória muito mais confortável. Foram 13 finalizações contra apenas quatro do Goiás antes do intervalo. Kaio Jorge marcou de pênalti, Matheus Pereira comandou o setor criativo, e o Cruzeiro empurrou o adversário para trás.
O placar só não ganhou contornos mais amplos por dois motivos: a falta de eficiência nas conclusões e a grande atuação do goleiro Tadeu, disparado o melhor jogador do Goiás na partida.
Só que o futebol pune desperdícios. E quase puniu o Cruzeiro.
O segundo tempo escancarou uma queda física e técnica da equipe de Arthur Jorge. O Goiás cresceu, passou a pressionar e levou perigo real ao gol celeste. O Cruzeiro flertou com a eliminação e escapou, inclusive, graças a uma bola na trave. O que parecia uma classificação tranquila virou tensão até o apito final.
Avançar na Copa do Brasil era fundamental. O mês de maio é um divisor de águas para o Cruzeiro. A permanência viva nas copas não representa apenas ambição esportiva, mas também sustentação financeira e tranquilidade para seguir evoluindo dentro de campo. Agora, o próximo passo é confirmar também a classificação na Copa Libertadores.
Mas a partida contra o Goiás deixou evidentes dois problemas que precisam ser corrigidos rapidamente.
O primeiro deles é o aproveitamento ofensivo. O Cruzeiro cria bastante, consegue impor um ritmo forte no jogo, mas ainda assim falta contundência. Kaio Jorge, referência do ataque, precisa voltar a ter regularidade também com a bola rolando. Em confrontos mais pesados, desperdiçar tantas oportunidades costuma custar caro.
O segundo alerta passa diretamente pelo elenco. Nas Copas, o nível dos adversários aumenta a cada fase — e sobreviver exige alternativas no banco de reservas. O retorno de Sinisterra e a evolução de Kaique Kenji são boas notícias, mas ainda insuficientes para eliminar a dependência dos titulares.
Ontem, ainda que sob risco de perder a vaga, Arthur Jorge tirou Matheus Pereira, Gérson e Kaio Jorge – atitude justificada pelo desgaste físico. O problema é que, sem eles, o Cruzeiro perdeu qualidade, retenção de bola e capacidade de controlar o jogo.
A leitura é inevitável: o time titular evoluiu, mas o elenco ainda responde abaixo quando precisa do banco.
E isso coloca responsabilidade direta sobre a diretoria.
O trabalho de Arthur Jorge é consistente. O Cruzeiro hoje tem organização, padrão de jogo e jogadores em clara evolução de rendimento — Gérson talvez seja o maior exemplo disso. Não há necessidade de uma reformulação. As contratações precisam ser pontuais. Mas também precisam elevar o nível do elenco.
Porque, no futebol brasileiro, sonhar com títulos exige mais do que um bom time. Exige um grupo forte o suficiente para suportar o calendário, a pressão e as decisões.
Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.



