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Nath Fiuza | Decepções, surpresas e heróis improváveis: o saldo da 1ª rodada da Copa

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Coluna da Nath Fiuza
Coluna da Nath Fiuza • Itatiaia

Você piscou e todas as 48 seleções participantes da Copa do Mundo já estrearam. Algumas confirmaram seus favoritismos, outras decepcionaram seus torcedores e, como de costume, o Mundial já nos apresentou histórias incríveis de talento e superação, que sempre nos lembram o quão apaixonante é o futebol.

Tivemos até aqui jogos de muita intensidade física — uma característica que já parece marcar esta Copa do Mundo. Seleções que não competirem em alto nível, demonstrando entrega e compromisso também sem a bola, dificilmente irão longe na competição.

É cedo para decretar favoritos absolutos ou eliminar candidatos, mas algumas questões já ficaram claras. França, Argentina e Inglaterra saem da primeira rodada fortalecidas. Portugal e Espanha, ao contrário, carregam as maiores decepções destes primeiros dias.

Marquinhos durante jogo do Brasil contra Marrocos na estreia da Copa do Mundo • Rafael Ribeiro/CBF
Marquinhos durante jogo do Brasil contra Marrocos na estreia da Copa do Mundo • Rafael Ribeiro/CBF

A vitória por 3 a 1 da França sobre Senegal reuniu exatamente o que se espera de um candidato ao título: intensidade, qualidade técnica e capacidade de controlar um adversário perigoso. Os franceses não fizeram um grande primeiro tempo, mas protegeram bem a área e pouco sofreram defensivamente. Na segunda etapa, foram agressivos, organizados e venceram sem parecer fazer grande esforço.

Vimos jogadas bem trabalhadas, com destaque para as belas assistências de Olise e Rabiot, mas vimos também a França garantir os três pontos por meio do imenso talento de Mbappé, que parece ter nascido para ser protagonista em Copas do Mundo.

A Argentina também venceu com autoridade, em uma noite mágica de Lionel Messi. Aqui é importante ponderar o nível de enfrentamento contra a Argélia, que ofereceu pouquíssima resistência, mas isso não apaga a atuação madura dos argentinos. Um time organizado, que sabe acelerar o jogo quando necessário e que continua executando muito bem a estratégia de jogar em função de Messi. O camisa 10, aliás, utilizou toda a sua genialidade para se tornar o maior artilheiro dos mundiais, ao lado de Klose, com 16 gols.

Inglaterra e Croácia protagonizaram o melhor jogo da Copa até aqui, principalmente por se tratar de um confronto equilibrado, entre duas seleções europeias e com muito talento em campo. Os ingleses mostraram uma versão ofensiva, vertical e corajosa. Sofreram defensivamente em alguns momentos, é verdade, mas responderam sempre atacando. Há alguns anos, a crítica à Inglaterra era justamente a incapacidade de transformar seu talento individual em um futebol coletivo forte e envolvente — exatamente o que foi visto na estreia. Se mantiver esse nível, será um problema para qualquer adversário.

Harry Kane é eleito o melhor jogador em campo na partida de estreia Inglaterra x Croácia • Divulgação/FIFA World Cup
Harry Kane é eleito o melhor jogador em campo na partida de estreia Inglaterra x Croácia • Divulgação/FIFA World Cup

Do outro lado estão as decepções. Portugal estreou empatando por 1 a 1 com a República Democrática do Congo e deixou mais perguntas do que respostas. Faltou criatividade, faltou velocidade e, principalmente, faltou capacidade de transformar a superioridade técnica em domínio real do jogo. O que se viu, na verdade, foi um duelo em que o Congo esteve, em vários momentos, mais próximo do segundo gol do que os portugueses. Não é um resultado que compromete a classificação, mas é uma atuação que reduz o entusiasmo em torno da equipe. Portugal pode — e precisa — jogar muito mais do que mostrou até agora.

Também foi enorme a decepção com a Espanha. O empate sem gols diante de Cabo Verde representa, até aqui, a principal zebra da competição. A posse de bola esteve lá, como sempre. O jogo trabalhado de pé em pé também apareceu. Mas foram muitas finalizações erradas de uma equipe que não conseguiu transformar domínio em vantagem no placar. Assim, Cabo Verde saiu de campo com um ponto histórico e absolutamente merecido.

Mas a Copa nunca vive apenas dos favoritos. Ela também se alimenta das histórias improváveis. E poucas foram tão marcantes quanto a de Vozinha. Aos 40 anos, o goleiro de Cabo Verde foi um dos símbolos da resistência africana diante da Espanha. Em um torneio que frequentemente celebra jovens estrelas e futuros craques, é maravilhoso ver um veterano escrever um capítulo histórico. São personagens assim que transformam uma simples fase de grupos em memória permanente.

Depois da primeira rodada, nenhuma taça foi conquistada. Mas algumas mensagens já foram enviadas. França, Argentina e Inglaterra falaram alto. E o Brasil? Segue esperando Neymar e buscando sua melhor versão.

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Nathália Fiuza é comentarista da Rádio Itatiaia e escreve diariamente aqui.

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