Álbum da Copa: trocar figurinhas pode ajudar crianças neurodivergentes, diz psicóloga
Assuntos em comum, como completar o álbum da Copa, podem ser boas oportunidades de promover interações sociais entre crianças que têm dificuldades em participar de grupos

"Quando uma criança abre um pacote de figurinhas, ela está lidando com expectativa, surpresa, recompensa, organização e interação social". Essa frase é da psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato, que analisa como o universo das figurinhas mobiliza diversas habilidades cognitivas, emocionais e sociais ao mesmo tempo.
Segundo a psicóloga, existe muito aprendizado no ato de preencher um álbum de figurinhas. Entre os conceitos trabalhados estão espera, flexibilidade, negociação e tolerância à frustração.
A jornalista Débora Saueressig, mãe do pequeno Benjamin, de 7 anos, uma criança neurodivergente, afirma que o álbum de figurinhas, como o da Copa do Mundo, foi uma oportunidade para o filho socializar com colegas.
"Quando existe um assunto que mobiliza todas as crianças, fica mais fácil criar pontes. As figurinhas oferecem um tema comum, uma possibilidade de aproximação. E isso pode abrir portas para interações que talvez não acontecessem naturalmente", relatou.
Mayra Gaiato reforça que esse é um dos aspectos mais valiosos da brincadeira.
"As figurinhas criam algo muito poderoso para crianças neurodivergentes: um interesse compartilhado. Muitas vezes elas têm dificuldade para iniciar interações sociais espontaneamente ou para entrar em grupos já formados. Quando existe um assunto que mobiliza todo mundo, como o álbum da Copa, surge uma oportunidade natural de conexão", analisou.
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Dicas para a família ajudar a tornar as figurinhas em uma ponte para a inclusão
De acordo com Mayra Gaiato, algumas crianças neurodivergentes têm dificuldades em iniciar interações sociais espontaneamente. Por isso, o apoio dos adultos pode ser um facilitador.
Abaixo, veja dicas sugeridas pela especialista com estratégias práticas para as famílias:
- Conhecer junto com a criança o álbum e os personagens mais comentados pelos colegas;
- Incentivar que ela leve algumas figurinhas repetidas para a escola ou para encontros com amigos;
- Simular trocas em casa antes das interações reais;
- Ensinar frases simples para iniciar conversas, como "Você quer trocar?" ou "Qual figurinha você está procurando?";
- Mapear eventos de troca promovidos por shoppings, praças, clubes e centros culturais da cidade;
- Identificar colegas e famílias que demonstrem abertura para encontros de troca em ambientes mais acolhedores;
- Combinar encontros com familiares, vizinhos ou colegas para pequenas sessões de troca;
- Valorizar cada tentativa de interação, mesmo quando ela não acontece perfeitamente.
Além dos pais, professores e escolas podem ser importantes em ajudar crianças que costumam ficar mais isoladas a participarem das interações.
"Pequenos convites fazem diferença. Quando uma criança é chamada para mostrar uma figurinha, participar de uma troca ou simplesmente entrar na conversa, ela começa a construir algo muito importante: o sentimento de pertencimento", afirmou a psicóloga.
"Enquanto muitas crianças acreditam que estão apenas completando um álbum, seus cérebros estão aprendendo algo muito maior: estão aprendendo a conviver", concluiu.
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).



