Alexandre Simões | Messi desafia o tempo ao brilhar como artilheiro em Copas já veterano

O que mais impressiona na marca alcançada por Lionel Messi com o hat-trick diante da Argélia, na última terça-feira (16), em Dallas, quando ele se igualou ao alemão Miroslav Klose, como maior artilheiro geral das Copas, com 16 gols, cada, é que o argentino vive um processo contrário numa comparação com os maiores goleadores dos Mundiais.
A partir de Just Fontaine e Pelé, em 1958, na Suécia, passando por Gerd Müller, nos anos 1970, e chegando a Ronaldo e Klose, no final do século passado e início deste, o auge em Copas, no que se refere a gols marcados, aconteceu quando eles ainda eram jovens.
Fontaine marcou 13 gols nas seis partidas que disputou a Copa de 1958, na Suécia, recorde absoluto numa única edição, quando tinha 24 anos. Neste mesmo Mundial, Pelé, então com 17 anos, balançou as redes seis vezes, seu recorde, lembrando que o Rei do Futebol tem 12 gols no geral.
Em 1970, no México, quando foi o goleador com dez gols marcados, o alemão Gerd Müller, que seria campeão mundial quatro anos depois em casa, tinha 24 anos.
A grande Copa de Ronaldo, no que se refere a gols, foi em 2002, na Coreia do Sul e Japão, quando foi o artilheiro do torneio marcando oito dos seus 15 gols na competição. Ele tinha acabado de se recuperar de uma série de lesões e tinha 25 anos.
Miroslav Klose, que em 2014 tomou do Fenômeno o posto de maior goleador em Copas aqui no Brasil, viveu seu auge nos Mundiais de 2002 e 2006, quando tinha 24e 28 anos, respectivamente. Nesses dois torneios ele balançou as redes dez vezes, cinco em casa, fazendo quase dois terços dos seus gols no torneio.
Com o extraordinário Leonel Messi o processo é contrário. O craque argentino jogou sua primeira Copa em 2006, na Alemanha, e no dia 24 de junho, quando a albiceleste fez 2 a 1 no México, em Leipzig, pelas oitavas de final, com ele entrando no lugar de Saviola, aos 39 minutos do segundo tempo, ele completou 19 anos.
Quatro anos depois, aos 23 anos, na África do Sul, foram cinco partidas, nenhuma bola na rede e muitas contestações, pois ele não conseguia alcançar com a camisa argentina o desempenho que tinha no Barcelona, da Espanha.
No Brasil, em 2014, foram quatro gols, todos na fase de grupos, e uma enorme decepção, aos 27 anos, com a perda da taça para a Alemanha no Maracanã. Naquela final, Messi completou 15 jogos de Copas e cinco gols, média de 0,33.
Em 2018, na Rússia, novo fracasso. Apenas um gol, sobre a Nigéria, na última rodada da fase de grupos, e a média inalterada, pois já eram 19 jogos em Mundiais e seis gols, 0,31 por partida.
A partir do Catar, em 2022, Messi muda essa história. E parece seguir esse caminho nos Estados Unidos. Somando os sete jogos da campanha do título na Ásia, à estreia desta terça-feira diante da Argélia, o craque balançou as redes dez vezes em oito partidas, média de 1,25.
E essa história, Messi começou a construir com 35 anos, algo o difere de todos os outros grandes artilheiros gerais da história das Copas.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
