Valdir Barbosa: burocracia do governo afasta produtor rural do refinanciamento de dívidas
Somente 13% das dívidas vencidas do agronegócio vão ter juros subsidiados pelo governo, que deixou os bancos imporem suas regras

Amigas e amigos do Agro!
O dinheiro liberado pelo governo federal para renegociação de dívidas rurais, ainda não está chegando às mãos do produtor endividado.
As exigências bancárias estão colocando a maioria dos produtores no canto da cerca e as garantias de pagamento são os pontos principais.
O governo autorizou os bancos a definirem, de acordo com normas próprias, a aprovação do refinanciamento. Então, o passado correto do produtor que sempre cumpriu com seus pagamentos em dia, pouco está valendo. Certo ou errado, o sistema financeiro observa o potencial do cliente para o pagamento futuro.
Em diversas situações os bancos pedem garantias extras e vinculação do patrimônio ao refinanciamento, ou seja, a fazenda é transferida para o banco via cartório e o produtor passa a ser um simples usuário das terras.
Ao final da safra, se não for feito o pagamento, o banco notifica o cartório e a transferencia das terras é automática, sem processo judicial, iniciando-se os trâmites do leilão.
Aí vem a pergunta! É o fim do arrendamento de terras que se tornou impraticável? Se o proprietário não permitir sua fazenda em garantia, quem está alugando vai oferecer qual garantia ao banco?
O governo colocou R$ 25,8 bilhões para equalizar os juros do refinanciamento.
Essa quantia autorizada pelo governo representa apenas 13% do volume comprometido com as dívidas rurais.
Infelizmente, com o regulamento atual, aquele que precisa de ajuda para continuar produzindo é o mais castigado na busca do crédito.
Valdir Barbosa, Itatiaia Agro.
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



