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Professores, vocês são craques!

Valorizar e investir no desenvolvimento profissional docente tem que ser paixão nacional

O abraço que ele deu nela foi digno de um fã que, finalmente, depois de tanto tempo, encontra seu grande ídolo! Hulk, atacante do Clube Atlético Mineiro, se emocionou ao se deparar com a professora Cláudia, que o esperava no túnel que dá acesso ao gramado da Arena MRV, em Belo Horizonte, no último domingo. Foi um jogo especial, em que os mais de 2 milhões de professores brasileiros representados por 22 docentes receberam a homenagem dos jogadores e de quase 40 mil torcedores no estádio.

O evento foi parte da campanha “Professores, vocês são craques!”, realizada pelo Instituto iungo, Atlético e Instituto Galo, em parceria com a MRV, o Instituto MRV, a Arena MRV, a Itatiaia e a CNN Brasil.

Ser professor é uma profissão. Demanda anos de formação - tem a formação acadêmica inicial, na faculdade, e a formação continuada, que se dá ao longo de toda a carreira, dentro da escola e fora dela. Uma profissão marcada pelo forte compromisso com a aprendizagem dos estudantes, por uma rotina de trabalho intensa, que envolve um conjunto amplo de atividades que vão muito além das aulas em si. Trata-se de um campo de atuação profissional bastante desafiador, pela complexidade que é promover o desenvolvimento integral de uma criança, um adolescente, um jovem, e pelas condições de trabalho inadequadas que ainda vivenciamos em muitas escolas do Brasil.

Importante mencionar, neste artigo de homenagem aos meus colegas professores, alguns resultados da pesquisa realizada pelo Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP em parceria com o iungo, intitulada “O professor da escola pública brasileira: seus desejos e projetos de vida”, que ouviu 2 mil professores. A educação tem prioridade nos projetos de vida de 83% desses profissionais. Ser professor, para eles, é uma escolha, algo que tem sentido profundo em sua vida. Construir um trabalho de excelência na educação é fundamental para 88% desses professores. Querem, também, impactar positivamente as vidas dos estudantes e suas comunidades. Ou seja, os professores têm forte compromisso com a própria profissão e com o desenvolvimento dos alunos, ao mesmo tempo em que estão empenhados em garantir qualidade técnica nas ações que realizam na escola.

Quero lembrar dos professores que tive em minha trajetória escolar. Todos foram muito importantes para o meu crescimento. Mas uma delas teve papel fundamental para que eu desejasse me tornar professor e buscasse trabalhar com excelência, ética, empatia e engajamento: é a professora Maria Lívia de Castro, professora de arte e de vida e minha mãe, que esteve em sala de aula por mais de 30 anos e há outros tantos trabalha com muita dedicação para formar outras professoras e professores em várias partes do país. Muito do que sei, penso e faço como educador aprendi com ela!

Convoco você para o lema que nossa sociedade precisa incorporar, hoje e todos os dias do ano: valorizar os professores precisa ser uma paixão nacional!

Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É, também, professor da PUC Minas e pesquisador do Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP.

Paulo Emílio Andrade é presidente do Instituto Iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É, também, professor da PUC Minas e pesquisador do Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP.
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