Além dos foguetes: economia espacial cria novas oportunidades para a indústria mineira
Discussão sobre a economia espacial vai além da pergunta sobre quem já atua nesse mercado, ela passa também por identificar quem pode passar a fazer parte dele

Quem cria o mercado espacial brasileiro? Essa foi uma das provocações do painel sobre o ecossistema de inovação espacial no Brasil, no Rio Innovation Week, com a participação de lideranças do setor, entre elas a diretora de Fomento à Inovação do Órbi ICT, Janayna Bhering. O consenso entre os participantes foi claro: o espaço deixou de ser um tema restrito a agências espaciais. Hoje, ele representa uma oportunidade concreta para a indústria, startups, pesquisadores e investidores de diversos setores como agro, logística e muitos outros.
Renato Simão, coordenador de inovação do ISI (Instituto Senai de inovação) - SE (Sistemas embarcados) de Santa Catarina, destacou que o Brasil conta com 28 Institutos SENAI de Inovação, organizados por verticais tecnológicas, capazes de apoiar empresas na transformação de pesquisa em soluções para o mercado. Dessa estrutura, ele apontou Florianópolis como um polo estratégico para aplicações espaciais, inteligência artificial aplicada a dados geoespaciais e competências em satélites.
Na prática, essa aproximação ajuda a ampliar a percepção de que a economia espacial não se limita à construção e ao lançamento de foguetes e satélites. Há uma cadeia de oportunidades associada ao desenvolvimento de tecnologias, ao processamento de dados e à criação de aplicações que podem chegar a diferentes setores da economia. Nesse cenário, empresas que tradicionalmente não se enxergam como integrantes do setor espacial também podem encontrar oportunidades para desenvolver soluções e novos negócios.
Rodrigo Vicentini, Managing Director da Time&Place Consulting, reforçou que o desafio é integrar a indústria brasileira às cadeias globais de valor, criando redes de colaboração capazes de gerar novos negócios. Segundo ele, o mercado já demanda essas soluções, mas ainda é preciso ampliar o letramento sobre a economia espacial.
Essa conexão entre diferentes competências é especialmente relevante para transformar conhecimento científico e capacidade tecnológica em produtos e serviços competitivos. Mais do que formar um setor isolado, o desafio passa por construir pontes entre empresas, universidades, centros de pesquisa, ambientes de inovação, investidores e poder público.
Renata Horta, fundadora e diretora da Troposlab, abordou sobre os atores, "Quem cria esse mercado?". Talvez a resposta esteja justamente na construção coletiva do ecossistema. O Brasil tem excelência em pesquisa, uma base industrial em expansão e um ambiente crescente de fomento, com editais, programas de inovação e oportunidades para empresas ingressarem na economia espacial. Hoje, o ecossistema brasileiro já reúne mais de 125 empresas mapeadas, além de hubs, ambientes de inovação e oportunidades de financiamento voltadas ao setor.
Nesse ambiente, hubs de inovação, Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs), Parques Tecnológicos e outros centros de negócios, ganham espaço como pontos de conexão entre quem desenvolve conhecimento, quem domina tecnologias e quem tem problemas reais a serem solucionados. É nessa articulação que pesquisas podem encontrar aplicações comerciais, empresas podem acessar novas competências e startups podem se aproximar de grandes organizações e de oportunidades de financiamento.
Para Minas Gerais, essa discussão também abre uma frente de oportunidades. Belo Horizonte vive um momento de expansão de seu ambiente tecnológico: a capital foi apontada pelo Global Tech Ecosystem Index 2025 como o quarto ecossistema de tecnologia que mais cresce no mundo e o primeiro da América Latina entre as chamadas “Rising Stars”. O cenário fortalece a possibilidade de conectar competências já existentes em tecnologia e inovação a novas cadeias de alto valor agregado.
O Órbi Conecta pode contribuir para aproximar a agenda espacial do ecossistema mineiro. Desde 2025, atua também como Instituição Científica e Tecnológica (ICT), ampliando sua capacidade de desenvolver e articular projetos de ciência aplicada e tecnologias emergentes em parceria com empresas, universidades, governos e outros integrantes do ecossistema.
A discussão sobre a economia espacial, portanto, vai além da pergunta sobre quem já atua nesse mercado. Ela passa também por identificar quem pode passar a fazer parte dele. Empresas de tecnologia, pesquisadores, startups, indústrias tradicionais e ambientes de inovação podem ocupar diferentes pontos dessa cadeia, desde que existam conexões, conhecimento e mecanismos capazes de transformar competências em soluções.
Janayna Bhering, que é também consultora PNUD/ONU para AEB, mediou o painel reforçando exemplos de referência no Brasil na indústria e suas melhores práticas. “Integração, cooperação, soberania tecnologia e investimentos de longo prazo consolidam esse debate num evento que marca a primeira de muitas oportunidades para avançarmos nessa agenda, que cabe todos os setores, em especial, a indústria.”.
Se a pergunta que abriu o debate foi “quem cria o mercado espacial brasileiro?”, a conversa aponta para uma resposta que não está concentrada em um único ator. O desenvolvimento dessa nova economia depende justamente da capacidade de conectar ciência, indústria, empreendedorismo, capital e políticas de inovação, fazendo do espaço não apenas uma fronteira tecnológica, mas também uma nova fronteira de negócios para o país.
A 6ª edição do Rio Innovation Week (RIW) 2026 ocorreu entre os dias 4 e 7 de agosto de 2026, no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, com o tema "Simbiose: o futuro não acontece isolado". Foram mais de 40 palcos simultâneos e 3.000 palestrantes de mais de 20 países, como ativista e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai. Foram registrados cerca de 200 mil participantes.
O Órbi ICT é um hub de soluções tecnológicas, educação e impacto social fundado em Belo Horizonte por Inter, MRV&Co e Localiza&Co e mantém uma coluna publicada semanalmente às terças-feiras no portal da Itatiaia.



