Crianças a bordo: o que é preciso saber antes de uma viagem de avião
Da documentação ao assento ao lado dos pais, alguns cuidados antes do embarque podem fazer toda a diferença na viagem em família

Com a chegada de outubro, muitas famílias aproveitam uma pausa bastante aguardada pelas crianças. Em algumas escolas, as comemorações do Dia das Crianças vêm acompanhadas de alguns dias sem aula, formando a já conhecida “semana da criança”, uma oportunidade que costuma ser aproveitada também para pequenas viagens em família.
Para quem pretende embarcar nesse período, porém, a organização não termina na escolha do destino, na hospedagem ou na preparação das malas. Viajar de avião com crianças envolve algumas particularidades que precisam ser observadas com antecedência, especialmente em relação aos documentos exigidos, às autorizações de viagem e à acomodação de pais e filhos durante o voo.
Conhecer essas regras antes de chegar ao aeroporto pode evitar imprevistos, e por isso, além de planejar o roteiro, vale conhecer os principais cuidados e direitos envolvidos no transporte aéreo de crianças
Crianças e responsáveis devem viajar próximos
A escolha dos assentos é outro ponto que merece atenção especial quando a viagem envolve crianças. Desde julho, a Resolução nº 807/2026 da ANAC estabelece regras para que passageiros menores de 16 anos sejam acomodados em assentos próximos aos seus responsáveis ou familiares, sem que seja exigido pagamento adicional para assegurar essa acomodação.
É importante, porém, entender o alcance dessa garantia. A norma não assegura à família a escolha gratuita de qualquer assento disponível na aeronave. Serviços diferenciados, como assentos com maior espaço, determinadas fileiras ou mudança de classe, podem continuar sujeitos à cobrança.
O que a regra busca garantir é que a criança não permaneça separada do adulto responsável durante o voo por uma questão meramente relacionada à marcação dos lugares.
Por isso, no momento do check-in, vale conferir com atenção os cartões de embarque. Caso a criança tenha sido acomodada distante do responsável, procure a companhia aérea e solicite o ajuste dos assentos antes do embarque.
Documentos: uma conferência que deve ser feita com antecedência
Antes de viajar com crianças, é importante reservar alguns minutos para conferir toda a documentação exigida para o embarque. E essa é uma providência que não deve ficar para a última hora.
Nas viagens dentro do Brasil, é necessário observar quais documentos de identificação são aceitos e, principalmente, quem acompanhará o menor. Conforme a situação, podem ser necessários documentos que comprovem o vínculo com o acompanhante ou até mesmo autorização para a realização da viagem.
Nos voos internacionais, os cuidados são ainda maiores. Além de verificar a validade do documento de viagem, os responsáveis devem observar as regras aplicáveis quando a criança viaja com os dois pais, somente com um deles ou acompanhada de terceiros. As exigências específicas do país de destino também precisam entrar nessa conferência.
Uma documentação incompleta pode comprometer a viagem antes mesmo do embarque. Por isso, o ideal é verificar todas as exigências com antecedência e deixar os documentos necessários organizados antes do dia da viagem.
Vai viajar com bebê?
Viajar de avião com um bebê exige uma organização diferente, e algumas facilidades oferecidas aos passageiros podem tornar esse momento mais tranquilo. Quem viaja acompanhado de criança de colo integra o grupo de passageiros que pode ter direito à assistência especial, o que inclui atendimento prioritário em determinadas etapas da viagem. Antes do embarque, é recomendável consultar a companhia aérea e informar eventuais necessidades específicas da família.
Outro ponto importante é o transporte dos itens utilizados pelo bebê. Carrinho, bebê-conforto e outros acessórios infantis possuem regras próprias, que podem variar de acordo com a companhia e com as características do voo.
Por isso, vale consultar essas condições antes de chegar ao aeroporto. Além de evitar surpresas no momento do despacho ou do embarque, essa organização ajuda a tornar a viagem com os pequenos mais prática e tranquila.
Checklist antes de embarcar
Comprar as passagens e reservar a hospedagem são apenas parte da preparação quando a viagem envolve crianças. Antes de fechar as malas, vale fazer uma última conferência para reduzir as chances de contratempos no aeroporto.
Documentos, autorizações eventualmente necessárias, localização dos assentos, regras para transporte de bagagens e horários dos voos devem ser verificados com antecedência. No dia do embarque, também é recomendável reservar um tempo maior para chegar ao aeroporto, afinal, viajar em família costuma exigir uma logística bem diferente daquela de quem viaja sozinho.
Esses imprevistos fazem parte da experiência. Outros, porém, podem ser evitados. Informação, organização e conhecimento dos direitos dos pequenos passageiros ajudam a tornar a viagem mais tranquila desde o primeiro momento, para que as preocupações fiquem em terra e a família possa aproveitar o que realmente importa: o destino e as experiências que viverão juntos.
Monte uma pequena “mala de emergência”
Essa não é exatamente uma regra da ANAC, mas é uma dica de quem sabe que viajar com crianças exige estar preparado para imprevistos. Na bagagem de mão, leve aquilo que seria necessário para algumas horas extras de viagem: uma troca de roupa, itens de higiene, fraldas, alimentação permitida para a idade e medicamentos de uso habitual.
Isso pode fazer uma enorme diferença se houver atraso, cancelamento ou até extravio da bagagem despachada. E atenção aos medicamentos: se a criança utiliza algum remédio indispensável, não o coloque exclusivamente na mala despachada.
Problemas durante a viagem? Documente o que aconteceu
Mesmo quando todos os cuidados são tomados, nem sempre a viagem acontece como planejado. Atrasos, cancelamentos, perda de conexão e problemas com a bagagem estão entre as situações que podem transformar o percurso em um grande transtorno, especialmente quando há crianças envolvidas.
Nesses momentos, além de procurar uma solução imediata, é importante produzir registros do que está acontecendo. Cartões de embarque, protocolos de atendimento, mensagens da companhia aérea, fotografias dos painéis do aeroporto e comprovantes de despesas podem ser importantes posteriormente.
Se o problema envolver a bagagem, procure a empresa ainda no aeroporto e formalize a ocorrência. Guarde a etiqueta de despacho e, em situações de avaria ou violação, faça fotografias da mala e dos danos encontrados. Quanto mais informações forem preservadas, mais fácil será demonstrar posteriormente o que aconteceu e os prejuízos suportados.
Também procure conhecer as alternativas oferecidas pela companhia. Diante de problemas com o voo, questione sobre assistência material, reacomodação e reembolso, conforme a situação, e registre tanto as soluções apresentadas quanto eventual ausência de atendimento.
Encerrada a viagem, caso considere que seus direitos não foram respeitados, procure orientação especializada. Cada situação possui suas particularidades, e uma análise individual permite identificar quais providências podem ser adotadas.
Viajar com crianças exige planejamento antes do embarque, mas também informação para saber como agir quando alguma coisa sai do roteiro. Se algo der errado, essas providências podem fazer toda a diferença na busca por uma solução.
Nathália Damasceno Victor de Carvalho é advogada com atuação em todo o Brasil no Direito do Passageiro Aéreo e Direito do Consumidor. Sócia do Victor de Carvalho Advogados, possui experiência em centenas de casos envolvendo companhias aéreas e os principais problemas enfrentados por passageiros, abordando direitos, viagens e relações de consumo de forma prática, acessível e conectada ao cotidiano.



