Ouça a rádio

Compartilhe

Um super jogo para coroar o Supercampeão do Brasil

Sem dúvida foi um jogo de futebol delicioso de assistir, inclusive para aqueles torcedores de outros clubes

Atlético e Flamengo fizeram um grande jogo em Cuiabá, na abertura da temporada do futebol brasileiro, que já vive as suas pré-temporadas estaduais desde meados de janeiro. Sem dúvida foi um jogo de futebol delicioso de assistir, inclusive para aqueles torcedores de outros clubes, mas que amam o futebol bem jogado.

Com dois dos três melhores elencos/times do país em campo, a surpresa foi a intensidade, acima da média pra época do ano. Técnica e taticamente, Galo e Fla entregaram exatamente aquilo que o torcedor esperava. E ainda presentearam o espectador com uma longa e emocionante decisão por pênaltis, com 24 cobranças e um placar de 8 x 7 para o Supercampeão Atlético.

O Flamengo mostrou uma mudança tática mais clara. Com a bola, transformava Filipe Luis em um terceiro zagueiro, com Everton Ribeiro pela esquerda, como um ala. Pelo lado alvinegro, o Turco segue com um modelo muito próximo daquele que Cuca deixou, com mudanças menos perceptíveis. Um planejamento inteligente e característico do “camaleão” técnico argentino.

Nos 90 minutos o equilíbrio e a troca de superioridade também chamaram a atenção. O Galo foi um time mais organizado nos primeiros 15 minutos, com saída de pé em pé, diante de um Flamengo que buscava o ataque com mais rapidez, procurando Bruno Henrique e Gabigol sempre que roubava a bola na defesa. 

A partir dos 20 minutos da primeira etapa, quando Paulo Sousa adiantou a marcação flamenguista, o time rubro-negro passou a dominar o jogo e criar boas oportunidades pra marcar. O Galo não conseguia ter a liberdade na saída de bola que teve no início e demorou a entender a nova postura do adversário. A parada para hidratação foi fundamental para que o Turco conversasse com seus comandados, mudasse o posicionamento de alguns jogadores e conseguisse reequilibrar a partida. Nacho passou a baixar no início da construção, se aproximando dos volantes Allan e Jair, gerando a superioridade e/ou igualdade numérica no campo de defesa atleticano e abrindo espaços para que (principalmente) Godín tivesse mais liberdade para quebrar a marcação pressão do time carioca.

Com o confronto novamente igual, o Galo abriu o placar na reta final do primeiro tempo, após um chute característico do lateral Guilherme Arana, que gerou uma falha técnica do goleiro Hugo, que rebateu a bola para o centro da área, nos pés do meia Nacho, que apenas empurrou a bola pra redes.

O início do segundo tempo foi de ataque (Flamengo) contra defesa (Atlético). A impressão deste jornalista é que o Galo “deitou” no resultado construído na primeira etapa e abriu mão do seu DNA ofensivo, limitando-se a defender, esperando e dando a bola ao Flamengo, que com muito apetite, virou o jogo em 18 minutos. Quando os mineiros acordaram do cochilo em cima do 1 a 0, a decisão já estava nas mãos do rival e com um 1 a 2 contra.

Em desvantagem no placar o Galo voltou a jogar, a ter fome por atacar e passou a jogar melhor, empurrou o Flamengo e sobrou fisicamente. O Turco fez alterações importantes, colocando Vargas e Ademir em campo e os “reservas” fizeram a diferença. Ademir assumiu o papel de Keno, mas do lado oposto. Passou a ser o jogador do um contra um e Vargas foi mais uma vez decisivo e mudou o jogo. O chileno faz de tudo um pouco do meio pra frente e nos vinte e poucos minutos que esteve em campo fez de tudo, inclusive uma assistência para o gol de empate do sempre decisivo Hulk. O 2 a 2 no placar foi muito justo e ilustrou muito bem aquele que foi o grande jogo do futebol brasileiro em 2022.

Num jogo tão bom tática e tecnicamente, a emoção ficou por conta dos pênaltis. E foram 24 cobranças, 12 para cada lado, com um placar de 8 a 7 para o Supercampeão Galo, com direito a viradas, “matchpoints”, defesas e protagonistas. Everson e Hulk decidiram!

A final da Supercopa do Brasil mostrou dois times acima da média no futebol sulamericano. Qualidade técnica de sobra, intensidade surpreendente para um início de temporada e a certeza de que os protagonistas no Brasil continuarão sendo os mesmos: Galo, Fla e Porco, com os concorrentes se desdobrando para se aproximarem do trio de ferro.

Obrigado Atlético e Flamengo pelo belíssimo cartão de visitas para 2022! Que jogos como o da Arena Pantanal sejam uma regra e não uma exceção na temporada.

Leia Mais

Na arquibancada

Médico em minissérie da Globo, ator Julio Andrade vai ao Mineirão apoiar o Atlético: 'torcida linda'

BOA AÇÃO

Hulk repete ação e entrega doações à pessoas em situação de rua no Centro de BH

Emerson Royal

Ex-lateral do Galo, Emerson é abordado por ladrão e se esconde de tiroteio

PUNIÇÃO

Atlético: STJD suspende Rodrigo Caetano e Victor por ofensas a árbitro Bruno Arleu

"Cucabol"

Vamos falar de Cuca

Acesso rápido