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Se passaporte for suspenso, Eduardo Bolsonaro pode alegar exílio e pedir asilo político a Trump

Nos EUA, deputado informou que vai se licenciar e abrir mão da Comissão de Relações Exteriores. O anúncio ocorre enquanto a PGR analisa pedido de suspensão de passaporte

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Na Argentina, Eduardo Bolsonaro faz apelo para que país receba foragidos do 8 de Janeiro | CNN Brasil
Eduardo Bolsonaro  • Créditos: CNN Brasil

Após anunciar que vai se licenciar do mandato e morar nos Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pode alegar que é um exilado político. Caso tenha o passaporte suspenso, o parlamentar deve usar o argumento de exílio, que ocorre quando alguém - forçado ou por lívre escolha - deixa o seu país de origem por motivos como perseguição.

Já estava viajando

Em um vídeo, divulgado nesta terça-feira (18), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que já estava fora do Brasil quando deputados petistas pediram à Procuradoria Geral da República (PGR) que enviasse ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de cassação do passaporte dele.

Suspensão do passaporte

A petição foi uma estratégia usada pela base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reduzir os poderes do deputado bolsonarista caso ele se tornasse presidente da Comissão de Relações Exteriores (Creden) da Câmara. Segundo os petistas, o filho do ex-presidente trabalha contra a soberania nacional e usaria do poder do cargo para fazer articulações internacionais contra instituições brasileiras como o STF.

Sem perder Comissão

No entanto, Eduardo deu um passo adiante e fez uma espécie de "jogada de mestre". Para escapar da suspensão do passaporte, sem ficar retido no Brasil e sem que o Clã Bolsonaro perdesse a comissão, ele abriu mão do cargo para Luciano Zucco (PL-RS), que é o líder da oposição e um "soldado fiel" do ex-presidente.

Pedido de asilo à Trump

Nos Estados Unidos, o parlamentar ainda pode lançar mão de um pedido de asilo político ao presidente americano Donald Trump, de quem ele é próximo. Caso faça isso, Eduardo pode escalar a internacionalização do debate sobre perseguição política, argumento usado com frequência pelos aliados do ex-presidente.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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