Partidos veem briga por orçamento em ações de Dino
Executivo quer recursos para projetos estruturantes

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, intimou os 21 partidos que têm representação no Congresso Nacional a se explicarem sobre o manejo de emendas por parte de presidentes de legendas e políticos sem mandato.
A coluna ouviu vários desses dirigentes e, na avaliação de muitos deles, o ministro está tentando moralizar o sistema de emendas parlamentares para priorizar a atuação do Executivo. “Quer acabar com parte do orçamento do Congresso”, afirmou uma das fontes.
Outro dirigente, que também entende que as ações do ministro podem acabar diminuindo a participação do Parlamento nas decisões sobre o orçamento federal, afirma que é necessário organizar a destinação dos recursos para que eles sejam alocados conforme as prioridades da população.
Em outubro de 2025, o STF aprovou um conjunto de medidas de transparência e rastreabilidade. Com as novas investigações do Supremo, presidentes de partidos preveem que Dino vá avançar em relação a isso, propondo um regramento para que as emendas sejam voltadas a projetos estruturantes, definidos conforme as necessidades da população e em linha com o planejamento do Executivo.
Alguns caciques também avaliam que essa ação, neste momento, pode acabar pressionando alguns partidos a fecharem alianças com o governo federal, temendo serem alvos de novas investigações. Na leitura dessas legendas, Dino age para abrir espaço no orçamento federal para o Executivo.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



