O atentado contra Donald Trump terá o efeito político da 'facada do Bolsonaro'?
Ex-presidente americano foi baleado durante comício na Pensilvânia

Assim que foi noticiado o ataque contra Donald Trump, candidato à presidência dos Estados Unidos, um dos questionamentos que surgiu entre políticos brasileiros foi se o atentado não teria para o americano o mesmo efeito da facada que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro, quando era candidato em janeiro de 2018.
O ex-presidente americano foi baleado, nesse sábado (13), durante um comício na Pensilvânia. Trump foi atingido na orelha, socorrido e passa bem.
Bolsonaro e Lula
Imediatamente o episódio repercutiu entre autoridades brasileiras. Nos primeiros minutos, Bolsonaro e políticos da direita se pronunciaram e, na sequência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Itamaraty.
Efeito facada
Apesar de ambas as situações serem graves, há diferenças entre os casos. A primeira delas é que no caso de Bolsonaro, o ferimento foi gravíssimo e a visibilidade gerada pelo atentato foi prolongada com as notícias sobre a internação e o tratamento. O segundo ponto é que além de empatia, episódios em que os candidatos são vítimas acabam gerando mais conhecimento para a população sobre a existência deles. Bolsonaro era apenas deputado, significa que o nível de conhecimento sobre ele, certamente, foi ampliado com o ataque. No caso de Trump, ele já é amplamente conhecido — visto que foi presidente dos Estados Unidos.
Impacto na campanha
Decerto, Trump poderá colher benefícios políticos do atentado, citando o episódio, por exemplo, para levantar suspeitas sobre adversários. No entanto, também será alvo de suspeita, pois, sem dúvidas, opositores e aliados dirão que foi armado. O mesmo argumento, infundado, foi usado contra Bolsonaro que, comprovadamente, foi esfaqueado em 2018, o que, apesar de trágico, acabou sendo um fato que alavancou a campanha do político.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



